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Publicação: 18/08/2016 12h06
Atualização: 19/08/2016 10h25

 Está chegando ao fim a brilhante carreira do maior ciclista brasileiro de todos os tempos, o brusquense Murilo Fischer. O ano de 2016 será o último de 20 temporadas no ciclismo e cinco Olimpíadas no currículo. O atleta ainda vai disputar a importantíssima Volta da Espanha neste sábado (20).

No Rio de Janeiro, Fischer participou de sua quinta e última Olimpíada. Na prova de estrada ficou com o 64º lugar, aquém do seu potencial, mas muito bem para um brasileiro. “O ciclismo brasileiro não tem tradição, é pouco conhecido pela imprensa e pela população em geral. Andar de bicicleta sim é muito popular no país, mas não como esporte, conhecendo o circuito e etc. Aqui a situação é bem difícil, o ciclismo só foi se tornar profissional ano passado no Brasil. Por essas razões é muito difícil se falar em desempenho”, elucida o atleta.

Fischer vai disputar uma última competição pelo clube que defende na França desde 2013, o Française des Jeux. O brusquense corre neste sábado a Volta da Espanha, uma das três maiores competições do ciclismo de clubes. Os outras dois grandes torneios ele também tem em seu currículo. Completou por cinco vezes o Giro d’Italia e três vezes o Tour de France.

Depois de 20 anos competindo no ciclismo, o corpo de Fischer está exausto, esta é a grande razão para a aposentadoria do brusquense. O atleta, que atualmente mora em Treviso, na Itália, vai representar Brusque nos Jogos Abertos de Santa Catarina, em novembro. “É certo, eu vou disputar os JASC pela minha cidade”.

Murilo Fischer vai se aposentar da carreira de atleta, mas não pretende largar o ciclismo. “Existe a possibilidade de eu trabalhar como treinador no esporte, ou até exercer outra função. Acredito que tenho a oferecer e passar um pouco da minha experiência com o ciclismo. Tenho outros projetos, mas tudo vai depender de como as coisas vão prosseguir e as oportunidades que vão aparecer”.

O brusquense vai morar na Itália até 31 de dezembro, depois disso ainda não sabe o que vai acontecer. “Se eu tiver que escolher, continuo na Europa. Tenho filhos, mulher, uma estrutura muito boa lá. Porém, também tenho uma estrutura montada no Brasil. Vamos ver como as coisas acontecem”.  

Como tudo começou

 “Toda criança pede uma bola ou uma bike para os pais. Eu nunca fui muito de jogar bola, eu pedi a bike”. É assim que Fischer conta a sua entrada no mundo do ciclismo. Depois de passar a infância toda andando de bicicleta, começou a praticar mountain bike até que decidiu entrar no ciclismo de vez.

Aos 17 anos, o brusquense saiu de casa e foi competir pela Kolhbach, de Jaraguá do Sul. “No começo era difícil, mas sempre tive o apoio dos meus pais que me ajudaram em todos os sentidos”. Dois anos depois, Fischer partiu para São Caetano do Sul (SP), para correr pela Pirelli. O atleta ainda passou por outra equipe antes de ser convidado para trabalhar na Itália. “Houve um evento em que um diretor desta equipe estava presente. Após ver minha performance na corrida ele entrou em contato comigo e fui contratado”.

Entre 2002 e 2003 Fischer correu em uma equipe amadora da Itália e em 2004 se profissionalizou no clube Domina Vacanze. Em 13 anos de profissionalismo foram muitas conquistas e participação em quatro Olimpíadas (mais uma como amador). O atleta rodou por outros clubes antes de chegar ao Française des Jeux, que defende atualmente. Neste meio tempo, chegou a correr pela Liquigás, na época a maior equipe de ciclismo do mundo.