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Colunista: Erica Aguiar- Fisioterapeuta e Osteopata
Publicação: 23/04/2017 18h45

Em diversos países, a osteopatia já faz parte da equipe multidisciplinar de atletas de alto nível. O instrumento de trabalho do atleta é o seu próprio corpo, e o mesmo precisa estar em perfeitas condições para que possa desempenhar sua função de forma que consiga gerar resultados. Costumo dizer que um corpo livre é capaz de fazer/executar muitas coisas, e a probabilidade de se lesionar quando suas estruturas estão em perfeita harmonia é muito menor. 

Quando apresentamos falta de mobilidade em alguma estrutura, quando algo não está "funcionando direito", essa diminuição de mobilidade poderá gerar sintomas e repercussões em todo o corpo,  essas alterações podem ser sinalizadas através da dor ou perda da função. Nosso corpo  é muito inteligente, funciona como uma máquina, se uma peça não está funcionando perfeitamente, certamente outra irá ser sobrecarregada.

No esporte essas repercussões podem ser ainda mais graves, visto que a realização dos gestos esportivos são realizados em intensidade e repetições demasiadamente altas, afim de aperfeiçoar a técnica, os treinos são muito intensos. A osteopatia e terapia manual, por ser um método diagnóstico e manual das disfunções de mobilidade articular e teciduais,  baseado no conhecimento profundo da anatomia, fisiologia e biomecânica do corpo, pode ser uma ferramenta valiosa no tratamento,  prevenção e melhor que isso, na melhora de rendimento dos atletas profissionais e amadores.

Ao receber um  atleta/praticante de atividade física em meu consultório que apresenta alguma queixa de dor, a avaliação necessita ser minuciosa, e o principal objetivo é investigar qual desequilíbrio está acontecendo e de onde está vindo. Uma alteração de mobilidade no quadril por exemplo, pode gerar dores no ombro.  O profissional que trabalha com atleta precisa entender essas relações, conhecer a mecânica corporal, dominar o gesto esportivo,  analisar detalhadamente o corpo do atleta e literalmente "colocar a mão na massa". 

O tratamento dos atletas tem que ser realizado no menor tempo possível, afastá-los dos treinos por um grande período não é nada interessante. Para o atleta de alto rendimento não existe o termo "faça repouso",  existe entretanto sempre a pressão para obter resultados. 

Após a avaliação, inicia-se a sessão afim de melhorar a mobilidade dos tecidos (músculos,ossos, articulações, sistema nervoso, vísceras, crânio e fáscia), harmonizando todo o corpo. As técnicas utilizadas vão depender do tipo de alteração corporal encontrada.  O tratamento é realizado com as mãos, e a cada técnica utilizada, a cada intervenção, o tecido é reavaliado afim de se obter a resposta de relaxamento ou não do mesmo. O local tratado não é limitado à queixa da dor, ou seja, se a dor é na coluna, não necessariamente o trabalho manual se concentrará sobre ela,  o reequilíbrio será se necessário, realizado da cabeças aos pés. É muito comum após os tratamentos os atletas referirem não apenas melhora das dores, mas também melhora do sono, melhora no rendimento nos treinos, maior amplitude articular para execução do gesto esportivo entre outros relatos. 

Após passada a preocupação inicial que era melhora da dor e função, vamos passar para outra etapa: auxiliar na melhora da performance.

Nesta fase, vamos ter que pensar muito mais a fundo na biomecânica utilizada no esporte que o atleta pratica, para realizar um planejamento de tratamento  específico para a modalidade. 

Qual musculatura ele mais utiliza? Qual articulação? Qual eu preciso que esteja bem relaxada? Qual precisa de fortalecimento?

A ideia é moldar o corpo do atleta e prepará-lo para que ele possa executar a atividade da melhor forma em seu rendimento máximo, e o melhor de tudo, sem dor. 

O atleta nadador Leonardo Schlindwein da equipe ABAIN- Extreme, iniciou tratamento comigo para melhora de rendimento no início do ano de 2016. Já compete desde os 12 anos de idade e coleciona diversas medalhas de campeonatos realizados dentro e fora do estado. A conquista mais recente foi neste ano no Campeonato Absoluto de Natação que aconteceu na cidade de Palhoça-SC.  Além desta conquista atual, Leonardo conquistou 02 medalhas de ouro e 03 medalhas de prata no Campeonato Catarinense 2016 e 2017;  02 medalhas de prata XV Copa de Anápolis-GO- 2015; um total de 03 medalhas nos Jogos Escolares da Juventude Londrina-PR; 02 ouros, 03 pratas e 04 bronzes nos Joguinhos de Santa Catarina 2014-2015 além de 02 medalhas de ouro na prova de revezamento Olesc-Fesporte. O atleta se dedica diariamente aos treinos,  ao longo do ano, com o tratamento, foi possível perceber a melhora da mobilidade corporal e relaxamento dos tecidos. No ano passado, iniciamos os atendimentos semanalmente, até realizar os ajustes necessários. Hoje em dia, realizamos os atendimentos exclusivamente antes das competições, para promover soltura dos tecidos e melhorar a mobilidade para a competição. 

Após sofrer as manipulações,  o atleta precisa se adaptar com o "novo" corpo. A intervenção do fisioterapeuta pode gerar muitas alterações nos tecidos, tais como: alterações posturais, alteração no posicionamento da cabeça, alterações na pisada, no movimento do quadril, na mobilidade da coluna vertebral e assim modificar alguns padrões. O corpo, antes do tratamento, estava preso e se adaptou para a prática esportiva, mesmo com essas "amarras", a partir do momento que a intervenção ocorre, precisará de uma nova adaptação, para este "novo" corpo, corpo "livre". Os atletas dizem: -"Parece que ficou tudo solto", a sensação pós sessão, as vezes pode gerar estranheza quando vão realizar a atividade. Não pense que a "massagem" não vai causar nenhum efeito no seu corpo, você não imagina como uma intervenção manual pode gerar modificações nos  tecidos corporais. 

Um episódio interessante aconteceu em agosto de 2015, quando durante uma partida, o tenista Rafael Nadal apresentou aumento exacerbado da frequência cardíaca (taquicardia), e por este motivo quase interrompeu o jogo na semifinal de Hamburgo. Imediatamente seu fisioterapeuta osteopata normalizou a frequência cardíaca,  através de uma manipulação na região torácica do atleta (foto). Interessante não??  Obviamente que este foi um caso isolado, emergencial, mas fica aí mais um exemplo dos efeitos destas técnicas manuais sobre os sistemas corporais. 

Não se esqueça, prevenir é o melhor remédio.Procure um profissional capacitado para realizar seu tratamento. 

Conheça a Osteopatia e Terapia Manual.

ericaaguiar.com.br



Erica Aguiar- Fisioterapeuta e Osteopata - Coluna Fisioterapia

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