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Repórter: Sidney Silva
Publicação: 15/03/2019 12h11

Depois de 30 anos, e seis mandatos, chegou ao fim na noite de quinta-feira (14) o legado de Oscar Archer à frente da Federação Catarinense de Basketball (FCB). Nascido em Blumenau e radicado em Nova Trento, Archer foi o responsável por elevar o nível do basquete catarinense e transformar a FCB na federação mais sólida e com a maior quantidade de equipes em atividades no país.

Agora, ele será substituído pelo advogado Fábio Pamplona Deschamps, responsável pela diretoria jurídica da FCB há 8 anos e há 18 dentro da modalidade. Com apoio de Archer, ele foi eleito por aclamação no dia 20 de fevereiro e tomou posse na última noite ao lado de Sérgio Carneiro, o Serjão. O novo presidente da FCB diz que “o grande desafio será o da consolidação dos clubes no cenário nacional e o de manter todo o trabalho de referência da federação no esporte e hoje também no social, com iniciativas que viraram referência para o basquete catarinense e brasileiro”.


História

A história de Oscar José Orsi Archer à frente da FCB começou ainda em 1989, dois anos após o então professor universitário da Universidade Federação de Santa Catarina deixar a Federação Catarinense de Futebol (FCF). Aquela época o basquete ainda era vinculado à FAC e passava por muitas dificuldades, sem perspectiva de futuro, conforme relata o próprio Archer na obra “100 anos em Santa Catarina – Da Bola ao Cesto ao Basketball – Esporte e Social”, escrito pelo seu filho, Luiz Augusto Tripadalli Archer e lançado em fevereiro em Florianópolis.

Em 1990, Archer assumiu o Conselho Técnico de Basquetebol da FAC, com autonomia administrativa, técnica e financeira. Era o primeiro passo para mudar a vida do basquete catarinense.

Cinco anos depois, em 1995, fundou a Federação Catarinense de Basketball, e dois anos mais tarde iniciou a compra da sede própria da FCB, uma sala de apenas 37 metros quadrados no Centro de Florianópolis. Hoje, a FCB ocupa 8 salas no mesmo lugar.

Mas o grande salto da FCB ainda estava por vir. “Em um certo domingo de junho (28 de junho de 2009) fui surpreendido por um telefonema de alguém que eu não tinha muito contato, era Jairo Anello (hoje diretor de planejamento da FCB). Começava uma nova era com à chegada à Federação dos recursos advindos da Trimania CAP”, conta Archer, também na obra de Luiz Augusto Tripadalli Archer.

Era a oportunidade certa nas mãos da pessoa certa. Com a Trimania, o basquete catarinense deu um salto. O crescimento, que já era expressivo antes da chegada da parceira, foi ainda mais acentuado ano após ano. Com investimento e gestão profissional, a FCB não só cresceu, como também ajudou os clubes filiados e as ligas a se profissionalizarem e desenvolverem a modalidade.

Atualmente, são cinco equipes adultas disputando os principais torneios de basquetebol do país, todos com auxílio da FCB e Trimania. A entidade também é responsável por diversas clínicas de profissionalização de árbitros, sendo referência nacional no quadro de arbitragem da CBB. “Chegamos a mais de 1 mil jogos todo ano, dando oportunidades, gerando mercado de trabalho para técnicos, jogadores e profissionais de arbitragem. E isso é gratificante. Você ver no semblante de cada pessoa envolvida com esse processo a gratidão que tem com essa diretoria formada por mim e por todos os meus companheiros”, ressaltou, Archer na eleição da nova diretoria.

Além das ações já citadas, o foco da FCB e da Trimania também são direcionados para a base. São mais de 1.500 crianças jogando basquete por meio do projeto “Basquete para o Amanhã”. Recentemente, nos últimos anos, a FCB também entrou na área da filantropia, com o FCB Social, além de fazer a revitalização de quadras e espaços para a prática do basquete. Diversas entidades e projetos foram financiados pela federação com apoio da Trimania. Uma das grandes iniciativas foi a criação do Centro Dia da Pessoa Idosa no ano passado. O local atende idosos, de ambos os sexos, com idade igual ou superior a 60 anos, em situação de vulnerabilidade ou risco social. São até 25 pessoas por turno num espaço que conta com atividades coletivas, sociais e comunitárias com o apoio na administração de medicamentos prescritos pelo médico, auxílio à alimentação, higiene e cuidados pessoais, entre outras ações.

A prioridade são dos idosos beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou em situação de pobreza inseridos no CadÚnico. “Acima de tudo sempre gosto de dizer que o Oscar não fez isso sozinho. Fui cercado de pessoas de confiança e capacidade. Com elas construímos tudo isso. Então, a garantia de ter essas pessoas com seriedade no trabalho, aprendendo com a gente, sempre em busca de inovação e grandeza foi fundamental. Isso é um marco significativa na minha gestão,as adversidades estão aí para serem superadas e sempre há depois ganho na administração”, comenta.

Por fim, depois de muitas lembranças ao longo das três últimas décadas, Archer avalia que sentiu que chegou o momento de passar o bastão por ter pessoas jovens e preparadas ao seu lado para dar continuidade a todo o processo de fortalecimento do basquete. “Entendíamos que tinha que ser agora. Porque até aqui sabíamos de tudo, entendíamos de tudo e conhecíamos basquete de ponta a ponta. Por isso, é necessário que esse grupo preste atenção: não é um elefante branco, é um elefante muito bem pintado, robusto, e com muita responsabilidade”, diz, antes de uma última avaliação. “Falar de 30 anos não é fácil. Mas não adianta chegar neste momento e querer estar triste ou achar que não fez o que precisava ou podia ter feito. Não há necessidade disso porque temos consciência de tudo que foi feito”, afirma. “Hoje, entendo a federação consolidada, com basquete consolidado e Santa Catarina num patamar diferenciado em relação as outras federações. Estou contente em entregar o processo e continuar a fazer parte dele, não diretamente, mas no contexto de organização, como assessoria, estarei por perto para dar esse suporte”, projeta.


Empreendedor nato”

Uma das pessoas que acompanhou de perto toda essa trajetória de sucesso de Archer à frente da federação foi Luciano Davies Zappelini, atualmente diretor financeiro da entidade. “Foram 16 anos de federação com ele na administração. “É um empreendedor nato, com conhecimento que muitos profissionais com formação na área não têm. Sempre muito dedicado, ele sempre tratou a federação como se fosse uma extensão da sua própria casa. Era o primeiro a chegar e o último a sair, e só saia da federação quanto tudo estava resolvido ou encaminhado”, conta ele.

Zappelini fala com propriedade sobre o presidente, com o qual conviveu de forma muito próxima, vivenciando, inclusive, os momentos de vacas magras na federação. “Nestes 16 anos, já passamos por muitos altos e baixos, situações de crises, de não ter dinheiro, mas ele sempre muito empenhado nunca se colocou em dificuldade e foi atrás para que superássemos essa fase difícil. Depois, com o surgimento da Trimania, entramos em um novo patamar, graças a todo trabalho realizado pelo seu Oscar”, observa, sob elogios. “Ele é tudo na federação. Uma pessoa de se admirar muito pela dedicação e carinho pelo basquete e por todos os funcionários. É um pai, um presidente, o líder da empresa, que está sempre com o time auxiliando e dando conselhos. Realmente uma pessoa que temos o privilégio de conviver”, enaltece Zappelini.


Um cara à frente do seu tempo”

Os caminhos do presidente do Brusque Basquete, Zurico Frota, se cruzaram com o de Oscar Archer ainda em 1989, quando o último chegou à federação. “No começo a gente se bicava bastante, mas posso dizer que nos identificamos desde o início. Quando o seu Oscar chegou ele já veio com uma ideia de gestão, mesmo em meio a todo um cenário de dificuldade, ele já tinha uma visão diferenciada, fruto também de sua experiência como professor universitário na UFSC”, comenta.

Hoje, Zurico diz que é impossível imaginar o basquete catarinense sem a figura do carismático presidente. “O seu Oscar sempre foi um homem à frente do seu tempo, um visionário que mudou a história do basquete catarinense”, observa.

Outro que também tem grande admiração pelo eterno presidente da FCB é Sérgio Carneiro, o Serjão, ex-treinador do basquete de Brusque, atual dirigente da Apab Blumenau e eleito vice-presidente da nova gestão da federação. “Sem dúvidas o basquete catarinense tem que ser dividido entre antes e depois de seu Oscar. A administração dele está marcada para sempre. Lógico que a Trimania é um marco, uma coisa muito importante, que mudou o patamar do basquete, mas independente disso ele sempre dirigiu a federação com mão de ferro, com muita sobriedade, honestidade e austeridade. Uma pessoa que sempre cuidou e construiu um patrimônio para federação”, diz Serjão. “Ele é um exemplo para nós a ser seguido, a ser reverenciado, admirado, copiado. Eu mesmo, a minha chegada à FCB devo 100% a ele, a sua confiança e por tê-lo como inspiração. Acho que todas as homenagens são poucas por tudo que ele fez pelo basquete catarinense”, finaliza.


Fotos: Carlos Pontalti e Adriano Krischke/Arquivo FCB



Sidney Silva

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