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Repórter: Sidney Silva
Publicação: 08/12/2016 16h33

Os tempos são outros no CT Rolf Erbe. Estrutura, organização e planejamento visando o futuro dão à tônica do trabalho do Brusque FC com garotos de 13 a 17 anos que têm o sonho de serem jogador de futebol.

Muito trabalho e disciplina para aqueles que almejam chegar longe no esporte depois de um período em que a base brusquense ficou relegada muitas vezes a montagem do elenco em cima da hora para cumprir agendas de competições da FCF.

Um dos atletas que coloca o futuro nas mãos do clube é o goleiro Lucas Lanser, de Guabiruba. “É bom participar de um projeto, que tem como objetivo formar atletas. Estou muito feliz de estar aqui”, comenta o jogador do Sub-13, que diz que se inspira no goleiro Zé Carlos para seguir carreira.

 O pai de Lucas, Godofredo Lanser, ressalta que acompanha o filho no treino todos os dias e elogia a evolução do Bruscão. “Fico feliz de ver que ele está sendo bem treinado aqui. Espero que ele possa evoluir aqui no Brusque FC, pois vejo que o clube está crescendo”.

A mesma expectativa tem Pedro Paulo de Brito, que traz o filho Erik de Indaial para treinar no Bruscão. Ele ressalta que já levou o jovem cabeça de área para treinar em outros locais, mas o Brusque hoje é um dos que têm os melhores treinamentos de Santa Catarina. “A gente já foi em algumas equipes e vê que o treinamento não é tão especial como aqui. Por isso estamos gostando muito. Já joguei futebol profissional, então a gente nota que o trabalho é muito bem feito e ele está evoluindo muito”, observa.

Estrutura de time grande
As coisas no Brusque começaram a mudar a partir desse ano quando o empresário Jonas Stange passou a gerir o departamento como diretor. Hoje, além disso, Stange concilia a atividade a de vice-presidente do clube. “Atualmente, temos uma estrutura semelhante à dos clubes grandes de Santa Catarina. Nosso campo está sempre bem cuidado, e os meninos têm condições apenas de se preocuparem em jogar futebol”, se orgulha Stange, ao lembrar que o CT está todo reformado, com novos vestiários e campo em excelentes condições. Os atletas com mais de 15 anos já são alojados pelo clube, com alimentação, material esportivo, entre outros benefícios.

Realidade distinta de temporadas passadas, quando atletas reclamavam com frequência de falta de condições ideais para os treinos. Essas dificuldades muitas vezes refletiam dentro de campo, com poucos resultados significativos e goleadas sofridas nos campeonatos estaduais.

Agora, o cenário é outro e o trabalho já tem dado resultados expressivos. O lateral Foguinho já treina na base do Internacional, enquanto que no Campeonato Catarinense de Futebol pelo menos cinco atletas da equipe Sub-17 tiveram propostas para deixar a base do clube. Entre eles, uma joia, Joãozinho tem apenas 15 anos, mas foi destaque absoluto da categoria Sub-17. 

Não à toa, chamou a atenção dos cinco grandes do futebol de Santa Catarina: Avaí, Figueirense, Chapecoense, Criciúma e Joinville fizeram propostas pelo atleta. O Internacional é outro clube interessado no jogador, que só deve sair do Brusque caso ocorra alguma contraproposta financeira. “Todo time que jogamos contra, ao fim da partida, quer levar o Joãozinho. Realmente é um menino muito diferenciado, que estamos tratando com muito carinho. Mesmo jogando dois anos abaixo de sua categoria, chamou a atenção de todos os times que enfrentamos”, diz Stange.

Os resultados do bom trabalho na base do Brusque também já começam a aparecer no rendimento. Este ano, a equipe Sub-17 foi quinta colocada no estadual. O time também venceu a etapa regional dos Jogos Abertos. Em novembro, a categoria Sub-13 levou de forma invicta o título da Copa Acef. 

Do elenco que compõe a base do Brusque, quatro atletas chegaram a ser incorporados a equipe profissional esse ano. “Um deles entrando num mata-mata de Série D. Há muito tempo o Brusque não tinha um jogador da base atuando” comenta Jerson Testoni, o Jersinho, ex-jogador do clube e atualmente responsável pela categoria Sub-17. O jogador citado é Baianinho, que entrou nos dez minutos finais do jogo de ida das oitavas de final diante do São Bento. A partida acabou em 0 a 0. “O que é mais gratificante é olhar nossos atletas e ver quantos times querem nossos jogadores”, comemora Jersinho.

 Ele diz que, além do futebol, um dos grandes legados do Brusque à sociedade é trabalhar na formação do indivíduo. “Hoje o nosso foco é 100% formação. E não é só o jogador, é a formação do homem. O Brusque tem evoluído muito na base e para estar aqui não basta apenas ter talento. É preciso ter disciplina e muita vontade de vencer”, diz o treinador.

Ele lembra que todos os garotos do clube têm acompanhamento psicológico por meio de uma parceria com o Centro Universitário de Brusque (Unifebe). A instituição também fornece aos atletas aulas de reforço escolar, enquanto isso o clube acompanha de forma individual a evolução dos jogadores e trabalha de forma específica as deficiências. 

Segundo Jersinho, a grande maioria apresenta significativa evolução, “Temos casos de jogadores com déficit de atenção, problemas familiares, ou até mesmo em razão de estarem longe da família. Estes são trabalhados para que possam evoluir nestes quesitos, de forma até mesmo a não influenciar no desempenho dentro de campo”, diz ele.

“A organização aqui é muito grande”
Profissional de currículo vitorioso tanto dentro quanto fora de Santa Catarina, o preparador de goleiros Márcio Quevedo se mostra entusiasmado com as condições oferecidas na base, categoria que passou a trabalhar assim que encerrou a temporada de futebol para o time profissional. 

Quevedo recebeu outras propostas para deixar a equipe, mas ficou vislumbrado com o trabalho apresentado no clube. “Primeiramente a organização aqui é muito grande, com muita dedicação da comissão e dos atletas. E a gente vê bastante jogadores com qualidade para o clube formar e diminuir custos”.

Acostumado a lidar com os profissionais, ele fiz que o trabalho muda radicalmente, já que na base, ao invés de condicionar, tem que ensinar os atletas, mas revela que o resultado é gratificante. “Tem sido uma experiência muito legal. São atletas dedicados e dispostos a aprender. Isso me deixa contente. Fazer parte de tudo isso e ver as coisas acontecendo”, diz. 

Hoje, além de Jersinho (técnico Sub-17) e Quevedo (preparador de goleiros), o Brusque ainda tem outros dois treinadores para a base, um de cada categoria (Sub-13 e 15). A equipe conta também com preparador físico, massagista, auxiliar técnico e duas cozinheiras.



Sidney Silva

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