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Repórter: Redação
Publicação: 27/09/2016 21h00
Atualização: 28/09/2016 19h29

O investimento em esporte de base e rendimento foi um dos temas da pauta levantados por EsporteSC.com aos candidatos à Prefeitura de Brusque. A discussão sobre o foco de investimentos da prefeitura e a importação de atletas com benefício do Bolsa-Atleta para representarem a cidade em competições como os Jogos Abertos de Santa Catarina levantou divergências de ideias entre os candidatos.

Odirlei Dell’Agnolo, o Bah (Solidariedade), Jones Bósio (Democratas) e Chico (Psol) defendem que os recursos sejam investidos em atletas de dentro da cidade, fortalecendo o esporte dos bairros e comunitários. Gustavo Halfpap (PT) diz que em razão do momento econômico também dará uma maior atenção ao esporte de base, mas comenta que é necessário não deixar de lado o esporte de rendimento em razão da tradição da cidade e também pelo fato de a bolsa ser utilizada por atletas que vão fomentar o interesse de crianças e jovens da cidade em determinadas modalidades.

Já o candidato Dr. Jonas (PSB) se mostrou amplamente favorável ao investimento no esporte de rendimento e no pagamento de bolsa a atleta de fora da cidade. O candidato do PSB diz que isso cria uma interação e passa experiência para os atletas mais jovens, mas cometeu uma grande gafe ao exemplificar o pensamento citando a possibilidade de trazer jogadores de  futebol profissionais de grandes clubes por meio do Bolsa-Atleta, destinado apenas a competidores que representam a cidade em competições como os Jogos Abertos de Santa Catarina.

Veja o que respondeu cada candidato sobre o tema, conforme a pergunta abaixo.

No investimento do esporte, onde se pretende dar maior atenção? Esporte de base (Olesc e Joguinhos) ou alto rendimento (Jasc) em razão da história do município? Qual seu posicionamento em relação ao pagamento de Bolsa a atletas de fora contratados pela cidade em competições como os Jogos Abertos de Santa Catarina. É importante para alavancar o desempenho e fortalecer o nome de Brusque ou desnecessário já que pode camuflar o trabalho que é realizado dentro da cidade? (Ricardo Malacarne, gestor comercial de EsporteSC.com)


JONES BÓSIO (DEMOCRATAS)

Eu tive a oportunidade de trabalhar no Governo do Estado e eu recebia muitas pessoas ligadas ao esporte, das artes marciais. Por exemplo: a capoeira cultural e a esportiva. Nem sabia que existia esta diferença, mas a gente vai aprendendo. O taekwondo, kung fu, enfim. Tem também bicicross, tem várias modalidades, downhill. Não podemos aceitar nos Jogos Abertos, nós temos o campeão brasileiro em Brusque e chamamos o cara de São Paulo para vir pra cá. O rapaz está frustrado com isso. Eu participei de uma reunião com eles. Então, ele queria ter participado, por que não ele? Até hoje eu não entendi. Nós queremos dar oportunidade para as pessoas que estão aqui participarem dos Jogos Abertos. Também não muda muito para a nossa cidade se nós formos o 10º ou o 15º. O importante é que as pessoas participem, estejam interagindo no esporte.

O esporte de alto rendimento é paralelo. Se você faz um bom trabalho no esporte de base é automático. Isso é consequência, é gradativo. É consequência do esporte de base. Eu sempre tive o princípio de trabalhar o esporte de base, pois você dá mais ênfase e abrange mais pessoas. Por exemplo, o próprio projeto de voleibol que existe em Brusque e que está deixado de lado, mas também o das escolinhas que é no contraturno dos colégios, nós podemos chamar de 2º tempo.

Então, você pega aqui o Carlos Renaux, o Paysandú, o Santos Dumont, enfim, as escolinhas. Precisam de incentivo, quando eu estive no Governo, nós tínhamos uma demanda muito grande e não tinha recurso para repassar para essas pessoas. Quando o Governo do Estado ou o Governo Municipal vai fazer corte de gastos, vai primeiro nesses temas, corta o esporte, deixa isso de lado e investe em outros setores. Tenho focado muito isso, tenho conversado com as pessoas envolvidas no esporte. Acho que a gente deve dar uma ênfase muito grande no futebol de base, no esporte amador para que a gente possa dar oportunidade para essas pessoas se profissionalizarem e depois gradativamente ou consequentemente poder fazer o seu profissionalismo.


CHICO CORDEIRO (Psol)
Não tem investimento no esporte de base, aí você tem que importar, isso é um erro. Não sou contra Bolsa-Atleta desde que ela seja para o atleta de base. Não me importa que ele venha de fora, mas que ele venha morar para cá e aqui ele descubra que existe esporte, mas não da forma que está sendo feito. Ele está vindo para cá para ser atleta. Está errado. Ai a gente acaba privilegiando uma espécie de mercenário. Que vem para cá e não resolve. Nunca resolveu e não vai resolver.

Então somos contra isso, dar bolsa para atleta de fora. O que será priorizado é o esporte de base. Uma vez que o poder público priorize esporte de base você não precisa ir para grandes centros exportar atletas. Você vai formar aqui, na própria cidade, vai surgir atleta. Temos muitas crianças e muitos jovens com potencial enorme, só falta investimento. 

Ter o investimento que você precisa sem pegar um cara que já está formado lá fora, que já tem uma caminhada em outro estado, trazer para cá e dar uma bolsa a ele. E essas bolsas não estão resolvendo. Tenho acompanhado o pessoal do basquete e não está resolvendo, pessoal está passando dificuldade. A bolsa não está dando conta de bancar a existência deles. A bolsa é prejudicial em vários pontos: traz uma pessoa de fora para passar dificuldade na cidade e impede que nossos jovens surjam enquanto esportistas.


ODIRLEI DELL’AGONOLO “BAH” (SOLIDARIEDADE)

Eu vejo que falta apoio ao esporte do dia a dia, ao esporte praticado pelo cidadão comum. Então este tipo de esporte eu vejo que a gente vai buscar fortalecer e estruturar a cidade inclusive, para receber as corridas, bicicleta, o skate, enfim. Nós temos um projeto muito legal que é das praças comunitárias, então a gente vai, hoje, criar uma infraestrutura do esporte do dia a dia valorizando essa prática comunitária e incentivando nos bairros isso para que se crie dentro do município, de fato, atendimento a várias modalidades.

Por que, se você olhar nos Jogos Comunitários, você teve cinco equipes de basquete, todas elas do centro, então você tem que democratizar os espaços da prática do esporte, para você ter também um esporte comunitário bem feito. A ideia é valorizar o esporte comunitário e, claro, apoiar os atletas de Brusque. Que são daqui, que praticam o esporte aqui e que vão poder ser exemplo para as nossas crianças aqui.

A bolsa para atletas de fora, eu não acho que ela traga algum benefício social, no meu ponto de vista. É claro que queremos ter atletas de ponta aqui mas para ter atletas de ponta aqui perto, a gente pode ter algum evento nacional aqui. Agora, nós temos é que ter o cara que estuda lá na escola pública, ou na escola particular, sendo exemplo para os seus amigos ali, desponte e depois vire um exemplo para toda a sua comunidade. É possível aqui se criar atletas.


Dr. JONAS (PSB)
Eu acho que a gente vai resgatar, pretende resgatar, o projeto Adeb, que seria ação desportivas dos bairros, e daí vai chamar o chamamento, a apelação, entende? Para os bairros, para os jovens, para praticar esportes: futebol, basquete, vôlei, outras modalidades: futsal, futebol de salão, eu acho importante que dê um chamamento maior. Quanto a outra pergunta de trazer atletas de fora eu acho importante porque isso é uma interação, isso vem enriquecer, vem trazer novas ideias, novos pensamentos.

São pessoas maduras, experientes, jogaram em times grandes no Brasil como: Flamengo, São Paulo, Corinthians e jogaram em Seleção Brasileira de Basquete, de Vôlei. Então, eu vejo essa área muito importante e essa interação é fundamental, porque isso transmite aos nossos jovens e cria já um ideal, e o jovem vê no próprio atleta um perfil: quero ser isso, quero ser aquilo. Me lembro antigamente: eu quero ser o Pelé, ou outro: eu quero ser o Ronaldinho.

E cada um já veste até a camisa, né. Isso é importante, porque daí já tem um sonho, só falta construir, modelar e deixar ele crescer que lá na frente ele vai ser um profissional da área. Então, eu vejo muito rico este tipo de assunto, colocando nesta situação, nesta modalidade, buscando desde a infância dele, desde o início da vida da criança despertar esse lado aí. 

GUSTAVO HALFPAP (PT)
Eu como trabalhei muito na gestão financeira eu sei quanto custa o recurso do município. Nós implementamos no nosso governo o Bolsa-Atleta. É um recurso substancioso, de quase R$ 1 milhão, gasto anualmente, especialmente para esportes de rendimento: Jogos Abertos, atletismo, esportes que demandavam técnicos, treinamentos mais complexos, então nós precisamos de investimento. 

Hoje, em razão das restrições financeiras, estamos em um outro momento. Então, temos que também adequar nossa ação a realidade do momento. Penso que nosso principal foco vai ser o esporte de base, de iniciação, e o esporte escolar. E a FME pela sua natureza, essa possibilidade de buscar recursos, tem que ter a criatividade para manter esses esportes de rendimento. 

Naturalmente, alguns esportes de rendimento, a própria pergunta já diz, eles alavancam, atraem a atenção para que as crianças também tenham interesse. Então, penso que alguns esportes de rendimento devam ser mantidos, até pela tradição da cidade e com algum patrocínio do município, mas o foco principal vai ser o esporte de base, de iniciação e o esporte escolar. Isso a gente tem um consenso de que temos que dar mais atenção a esses que privilegiam as pessoas da nossa cidade, nossas crianças, jovens. 

Penso no nosso governo darmos uma atenção maior a isso e nos outros vamos encaixar alguma coisa em razão da tradição que eles têm, esse forte apelo de atração de congregar e incentivar alguns esportes.

NOTA DE ESPORTESC.COM
Atendendo o princípio de paridade, EsporteSC.com tentou ouvir os candidatos Jadir Pedrini (Pros) e Bóca Cunha (PP) sobre os temas da sabatina. Pedrini, por meio de sua assessoria de imprensa, não mostrou interesse em discutir a pauta, já o candidato Bóca Cunha, após confirmar presença, não compareceu, segundo sua assessoria em virtude de um imprevisto de última hora.

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