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Colunista: Luiz Gianesini
Publicação: 13/11/2020 06h40

Coluna Personalidades do Esporte: Por Luiz Gianesine

O entrevistado desta semana é o professor e ex-prefeito Danilo Moritz - nascido em Brusque aos 20 de dezembro de 1949. Clubes do coração: Guarani, C.E.Paysandu e para o C.R. Flamengo


Atuou como atleta?
Sim, atuei no infantil do Guarani e Guabirubense, no juvenil do Guarani, na posição de ponta esquerda. Fui um jogador apenas razoável.


Lembra de alguns dos atletas dos infanto-juvenil?
Sim: Jogadores do Infanto Juvenil: Hermes Reddiga, Ciro Fischer,  Wilson Cipriano, Márcio Reddiga, Braulio Hassmann, Arno Baron, Calim Matiolli, Ismar Hoffmann (Mazola), Jorge Bianchini, Chiquinho Haag.

Como dirigente?
Atuei como dirigente no Guarani e no Paysandu. No Guarani participei da diretoria por mais de 20 anos, mas sempre voltado para a área social e depois na elaboração do Projeto Novo Guarani, após a destruição do patrimônio pela grande enchente de 1984.

Durante o período em que o Guarani disputava o campeonato da Liga, com a participação de equipes de Guabiruba, Nova Trento, Canelinha e São João Batista, sempre acompanhei o time. No entanto, é preciso ressaltar que o grande comandante do futebol do Guarani sempre foi o Jorge Bianchini e, no Paysandu, participei da diretoria do clube por dois anos - idos de 90 e 91 - , quando o Ciro era o presidente. Embora não fosse dirigente de futebol, quando havia jogos participava das atividades, inclusive trabalhando como bilheteiro.

Esta foi uma boa experiência, sobretudo para conhecer melhor como funcionava  o esquema de entrar sem pagar: sou filho do Dr....e estes são meus amigos; já fui isto......; sou o Dr...... Enquanto isto o torcedor de coração, com bandeira debaixo do braço, sem nenhum tostão no bolso, ficava ao lado da bilheteria implorando para que alguém comprasse um ingresso da geral.


Grandes dirigentes do Guarani?
É difícil citar nomes, pois o grande segredo do sucesso do Guarani sempre foi a qualidade dos seus dirigentes, que dedicaram grande parte de suas vidas ao Bugre. Porém, dos dirigentes das diretorias que trabalhei posso citar: Ovídeo Hassmann, Ayres Diechmann, Célio Fischer, Jorge Bianchini, Lourival Bitelbrunn, Lourival Augusto  Wandrey, Inácio Schwartz. É preciso ressaltar o trabalho feito pela diretoria feminina, que teve um papel de fundamental importância na arrecadação de dinheiro para as obras do Projeto Novo Guarani. Hoje a atual diretoria, formada por um grupo mais jovem, continua a realizar um grande e exemplar trabalho 

Lembra de algum  fato ocorrido em que você participou?
Numa final do campeonato regional da Liga a final foi entre o Guarani e o segundo time do Carlos Renaux. O time do Carlos Renaux era muito bom, com jogadores jovens e que treinavam todos os dias. Já o Guarani tinha um time de veteranos, todos trabalhavam e não podiam treinar durante a semana. Por isso seria muito difícil para o Guarani ganhar o título.

Na época eu fazia parte da diretoria do Paysandu e o treinador era o Lauro Burigo.  Fui conversar com o Lauro e perguntei a ele o que poderia ser feito. Então ele me deu a fórmula mágica: no sábado a tarde, ferver um quilo de café em uma panela por trinta minutos e deixar descansar. No domingo, depois do meio dia acrescentar 3 potes de guaraná em pó e deixar ferver novamente por uns dez minutos. Depois coar e colocar numa garrafa térmica grande e levar para o vestiário. Dez minutos antes do jogo dar um copo para cada jogador. Quando o jogo começou foi um espanto geral. Os veteranos jogadores do Guarani corriam como nunca e o Carlos Renaux não viu a cor da bola. Resultado 3 a 0 para o Guarani.

Que seleção escalaria da época?
Defesa: Bragança, Caracas, Nori Hassmann, Ari Hoffmann e  Moacir Hoffmann. Meio: Chiquinho Haag, Tales Moritz e Edson Cardoso. Ataque: Arno Pires, Dimas Borg e Mica.  Destaque: Miro Pires, o maior cobrador de pênaltis de todos os tempos.

Por que o Guarani acabou com o futebol?
A grande enchente de 1984 destruiu todo o patrimônio do Guarani. E a destruição nos levou a refletir sobre o futuro. Levei a ideia para a reunião mensal de construirmos um Novo Guarani, e transformá-lo num clube social. Na reunião alguns dirigentes me chamaram de louco e que estava delirando. Afinal, o patrimônio estava destruído, não havia dinheiro em caixa e o clube não tinha arrecadação. Mesmo assim alguns dirigentes aceitaram a ideia e fomos à luta. E o sonho se tornou uma grande e belíssima realidade.

Por que o futebol amador perdeu a graça? 
A queda no futebol amador. Na época a decadência começou quando alguns clubes começaram a pagar jogadores, coisa que o Guarani nunca fez.  No Guarani, depois dos jogos, a comemoração era a tradicional, ou seja, cerveja com linguicinha ou outro tira gosto. Outro ponto é que tudo vai mudando e se transformando, novos esportes, novas formas de lazer e diversão.



Luiz Gianesini - Coluna Personalidades do Esporte

Nascido em Brusque, em 8/10/1948, Luiz Gianesini é filho dos saudosos Evaldo e de Ida Maria Boni Gianesini. Já escreveu suas crônicas em diversos jornais. Em EsporteSC, conta quinzenalmente a história de celebridades que marcaram época no esporte E-mail para contato luizgianesini12011280247454442@2011280247453614gmail.com.