Conteúdo
Colunista: Luiz Gianesini
Publicação: 12/06/2020 11h13

O entrevistado desta semana é Joel Mendes Júnior, nascido em Brusque, aos 14 de abril de 1989; dois filhos: Giuseppe e Giorgio; torce pelo sucesso de todas as equipes que todas consigam sobreviver, que todas  consigam  ter seus patrocinadores, ser felizes correndo de automóvel ou caminhão , vivendo do automobilismo que hoje está bem difícil.

Como surgiu o Kart em sua trajetória?
Comecei na minha carreira nos idos de final de 94 para 95, iniciei na Beira-Rio andando em rua e tal, daí foi uma carreira. Tive um ano assim de muitas vitórias: bati em muitos recordes e vencI campeonatos regionais estaduais e até nacionais fui recordista de vitórias e pole positions na categoria que ocorria quando criança

O auge no kart?
1998 foi meu auge nessa categoria: corri seis campeonatos no ano e vencI cinco nesse. Fui piloto de uma marca de chassis e tinha um patrocínio muito, muito legal, da Shell.

Foi uma carreira em sequência?
Pelos idos de 2000 a gente resolveu vender a equipe e paramos de correr, contudo, em 2004, quando já estava parado por anos, fui morar nos Estados Unidos (morei lá em 2004, 2005 e em 2008) face um programa de intercâmbio e para minha surpresa as pessoas com quem fui morar eram proprietários de equipes de corridas ... uma grande coincidência...então aproveitei muito: participei dos testes de corridas em Kart no oval  - circuito oval – me acendendo, agora na adolescência tudo aquilo que eu tinha vivido na minha infância. 

O retorno transcorreu normalmente?
Decidido a voltar correr, todavia eu não tinha mais estrutura para correr, então levei mais três anos para competir de Kart, tendo, inclusive, participado das famosa 500 milhas, evento em que participam grandes pilotos da fórmula 1, fórmula Indi Nascar, entre outras categorias.

Algum patrocínio naquela época que facilitaram participações de destaque?
Participei nessa época de corridas, pois não tinha patrocínio, não tinha apoio e não tinha trabalho, pois eu era jovem e apenas estudava então eu resolvi escolher poucas corridas para competir, todavia corridas importantes, de grandes destaques no âmbito nacional e internacional, como ocorreu com  as 500 milhas que foi uma delas, quando meu desempenho  fui igual por igual contra Rubinho Barrichello,  Felipe Massa, entre outros como Pablo Montoya, Marco Andretti,  Antônio Pizzonia, Ricardo Zonta, entre grandes nomes Bruno Sena, Hélio Castro Neves, Tony kanaan , Nelsinho Piquet, Raul Boesel, entre inúmeros e grandes nomes.

Obteve boas colocações?
Como eu estava muito tempo sem competir tive que me preparar fisicamente e mentalmente para essa corrida; eu andava sempre entre os tops 10 e 5 nos treinos e eu tive a felicidade de liderar a corrida por 22 voltas, resultando no podium, vale ressaltar que apenas era o lugar-comum para o Rubinho, Nelsinho Piquet, Christian Fittipaldi e, na oportunidade obtive o quinto lugar nessa corrida com 12 horas de duração.

Como ocorria as cronometragens?
Era muito engraçado, pois nós tínhamos um sistema de telemetria que não é o que tem hoje em dia, mas na época era o que tinha de melhor: eu acompanhava os meus tempos no volante e também tinha um telão no final da reta, momento em que acompanhávamos o tempo dos adversários. Eu conseguia liderar a corrida, enquanto o Felipe Massa, Rubinho, entre outros estavam atrás de mim; conseguia ver que eu era tão rápido quanto eles, durante a corrida. Tenho registros - até hoje - em imagens com fotos mostrando que fui mais rápido que eles em algumas voltas durante as corridas ... isso é algo que me orgulho bastante

E a fórmula Truck?
Logo após isso eu conheci o Fogaça, quando anos depois recebi um informe de amizade, entre outras coisas uma oportunidade de correr na Ford pela equipe Ford satélite sem o apoio de fábrica na categoria Fórmula Truck.

Como foi o desempenho na estreia na Fórmula Truck?
Bom eu entrei na equipe de uma maneira muito repentina tendo sido avisado com apenas quatro dias de antecedência - que eu iria ser o piloto do caminhão - e a equipe estava sem Patrocínio, e o orçamento muito baixo em relação as outras equipes, implicando na minha estreia  - na Fórmula Truck  - de uma maneira, vez que  não consegui treinar fui direto para corrida praticamente porque eles montaram um caminhão 10 a 15 dias antes da corrida e não ficou bem montado -  o motor - e eu não consegui participar dos treinos que eu ia para pista e o motor quebrava - aí tem que recolher para o box e trocar, então eu nem classificação consegui fazer, fui direto para corrida e para a surpresa de todos eu era em último. Contudo, logo na primeira ou na segunda volta eu era mais rápido do que uns seis ou sete caminhões na minha frente. Eu estava muito rápido em relação alguns pilotos que já corriam e com isso, por falta de experiência, tive um caminhão que estourou a turbina e vazou óleo na pista e na oitava volta eu escorreguei no óleo e bati no caminhão.

Alguém se manifestou a respeito?
E logo na minha primeira corrida o Fogaça não estava no local, ele estava em São Paulo e a corrida era em no Rio Grande do Sul ele me ligou e disse: "Rapaz você estava muito rápido e quando eu pensei que você estava muito rápido você bateu o caminhão (risos)".

Alguma dificuldade naquele ano?
Foi um ano muito complicado considerando o fator financeiro - baixo orçamento - da equipe, mesmo assim em algumas corridas tive um desempenho muito bom, inclusive o mais rápido de todos os caminhões Ford, como, por exemplo Tarumã, em que estava alguns segundos mais rápido que meus companheiros de equipe; lamento que eu sofri uma acidente em Tarumã nos treinos em Campo Grande. Quando estava para terminar a corrida  - seria um dos primeiros  pilotos mais novo a subir no pódio da Fórmula Truck em tão pouco tempo -  e, infelizmente quebrei o caminhão faltando duas voltas para o final foi quebra de câmbio.

Alguma curiosidade?
Um negócio bacana de contar é que meu companheiro de equipe no caminhão Ford era Geraldo, o filho do Nelson Piquet – o Tricampeão mundial - fomos companheiros de equipe, e para treinar íamos juntos e tivemos uma relação muito boa e algumas histórias para contar:

Nesse meio tempo entre idas e vindas, também estive em Indianópolis, tentando uma conversa com uma equipe para tentar correr de Fórmula Indy, isso lá pelos idos de 2013

Na sequência?
O ano na Ford não foi bom em relação a resultados finais, entretanto pude mostrar o quanto era rápido na categoria, demonstrando respeito e os pilotos passaram me respeitar bastante – virei,  também, os produtos mais populares na época Porcino ovo tem um visual parecido com o do Elvis Presley por causa das costeletas e ganhe grandes amigos por lá e até hoje volte e meia me ligam ou conversam comigo para ver se eu não quero voltar para o caminhões.

Depois eu fui em outro ano foi muito legal, pois tive oportunidade de pilotar com o caminhão Scania guia e também com o Mercedes, pela equipe da Fórmula Truck, por duas corridas. Com a Scania participei da negociação da equipe, e por isso  ganhei a possibilidade de correr nela; fiz a intermediação da venda da equipe tendo conhecido grandes pessoas, inclusive o senhor Pedro Muffato, dono do caminhão. O caminhão foi comprado pelo Luiz Renato Years – diga-se os caminhões vieram muito bons e logo nas primeiras corridas eu já não me classificava entre os 5 primeiros da categoria, valendo ressaltar que logo na minha primeira corrida, com caminhão, fui terceiro no Uruguai e na segunda corrida em Campo Grande eu estava entre os quatro primeiros, inclusive já tinha ultrapassado Roberval Andrade, que era bicampeão da categoria, e vinha bem, mas novamente tive uma quebra nesse caminhão e não consegui concluir a corrida.

E o acerto do caminhão?
Daí para frente tivemos um caminhão bom e evolução e e eu gostava muito de mexer no acerto de divergência de convergência do caminhão do meu estilo de pilotar e eu consegui fazer o caminhão ser um pouco mais rápido de quando  estava em outras mãos, mas passamos numa fase ruim de patrocínio e não conseguimos trocar todas as peças necessárias para fazer as corridas corretamente e daí para frente não conseguimos bons resultados devido à falta de dinheiro.

O que foi marcante na sua participação na Fórmula Truck?
O que mais ficou marcado na minha passagem pela Fórmula Truck foi que eu fiz uma vez uma ultrapassagem em dois pilotos numa curva por fora em que o meu caminhão estava com o câmbio em ponto morto devido a um problema de superaquecimento no motor eu tirava a força do motor para tentar refrigerar, pois a o autódromo de Londrina era descidas e subidas e enquanto descíamos na reta e em outras partes do circuito eu deixava o câmbio em ponto morto e assim conseguir acabar aquela corrida em nono lugar

Finalizando
Bom Depois de dois anos com ele na Fórmula Truck eu tinha uma infraestrutura legal, uma das melhores da categoria e mesmo assim a gente não estava conseguindo captar patrocínio e, por razões financeiras, não quis correr no ano seguinte e decidi dar muito mais atenção aos meus negócios nas minhas clínicas dentárias, atualmente sou cirurgião implantodontista e atuo na área com excelência na região de Brusque e Guabiruba.



Luiz Gianesini - Coluna Personalidades do Esporte

Nascido em Brusque, em 8/10/1948, Luiz Gianesini é filho dos saudosos Evaldo e de Ida Maria Boni Gianesini. Já escreveu suas crônicas em diversos jornais. Em EsporteSC, conta quinzenalmente a história de celebridades que marcaram época no esporte E-mail para contato luizgianesini12007050940046138@2007050940045309gmail.com.