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Repórter: Redação
Publicação: 28/12/2019 08h08
Atualização: 17h01

O Brusque FC viveu em 2019 o ano mais mágico de sua história. Campeão nacional, o título da quarta divisão serviu para colocar a equipe numa seleta galeria de clubes e, de quebra, elevou o Bruscão a um patamar há pouco tempo inimaginável.

Agora, a equipe terá a oportunidade de disputar a Série C do Brasileiro, numa temporada que também promete com a disputa novamente da Copa do Brasil, competição em que o time vai encarar o Sport Club do Recife no estádio Augusto Bauer.

A vaga na competição mais democrática do Brasil foi conquistada no fim de novembro, numa disputa dramática diante do Marcílio Dias, nos pênaltis. Agora, campeão brasileiro e pentacampeão da Copa Santa Catarina, o Brusque parece ser a bola da vez no futebol catarinense, contrariando a queda das equipes do estado no cenário nacional.

O Joinville já ficou para trás? Quem será o próximo?

Para o presidente Danilo Rezini, o Brusque vive um momento de consolidação. Mesmo assim ele ressalta que o clube mantém os pés no chão, algo, que segundo ele, é uma das receitas do sucesso da equipe.

Com novo aporte da Havan, que subiu o patrocínio de R$ 100 mil mensais para 13 parcelas de R$ 230, além de ficar responsável pelo pagamento do aluguel do estádio Augusto Bauer, através de um patrocínio mensal de R$ 24 mil ao Carlos Renaux, a expectativa é de que o Brusque siga o caminho de fazer mais com menos.

Os novos valores equilibram mais as finanças da equipe, que, conforme o próprio presidente, sempre investiu mais do que arrecadava. É certo, que, com o novo aporte, o cenário será de mais tranquilidade, apesar de o investimento ainda não ser o ideal para uma equipe de Série C.

O desafio do Brusque segue sendo o de ampliar os investimentos dos demais parceiros existentes e, agora, como time de calendário nacional que é, romper a barreira de Brusque, em busca de novos patrocínios, também, de nível regional e até mesmo estadual, longe do berço da fiação. Mesmo com o aporte da Havan, a folha será mais próxima, mas (com exceção do Joinville) ainda menor do que as principais forças do estado. A confiança é de que o trabalho com pés no chão siga dando frutos e a equipe faça um estadual tranquilo. Mas é preciso olhar pra frente, na Série C...

Fazer uma boa Série C é o grande desafio do Brusque na próxima temporada, já que uma eventual queda à quarta divisão será um balde de água fria neste momento de crescimento e projeção da marca. Por isso, há a necessidade, ao menos, de permanência na terceira divisão, e, a exemplo do que já fizeram Operário (PR) e outras equipes, porque não enfileirar a conquista de outra divisão, ou pelo menos brigar pelo acesso?

Para André Rezini, diretor de futebol do clube, o sonho existe, mas é preciso lembrar ao torcedor que a primeira meta do clube é a de se manter na terceira divisão do futebol nacional. “Temos que entender que o Brusque vem numa crescente, mas a estrutura física e financeira ainda é muito aquém do que estamos conseguindo realizar com sucesso, também temos que ter esse equilíbrio”, diz.  “Claro que o sonho da diretoria e do torcedor é um dia chegar na Série B, mas além de sonharmos e trabalharmos para isso, é algo que depende muito da execução. Graças a Deus nas últimas temporadas estamos tendo êxito, mas temos que ter a sensibilidade e saber que é uma competição muito difícil para nós. Temos que manter a nossa forma de trabalhar, é com cautela, trabalho e dedicação que as coisas vêm acontecendo. Creio que não podemos mudar esse perfil de trabalho”, observa.

Para o Catarinense, André vê com bons olhos a possibilidade de a equipe chegar, ao menos, nas semifinais, mas prega respeito aos rivais que não atravessam uma boa fase, ao ser questionado sobre a euforia da torcida quadricolor. “Avaí e Chapecoense caíram, Figueirense e Criciúma estão mal, mas são clubes de muita tradição e temos que respeitar essas camisas. Sempre são jogos muito difíceis, nem por isso o Brusque um dia deixou de jogar em condições de igualdade com essas equipes”, comenta. “Realmente é um sonho ser campeão catarinense, sabemos as dificuldades, assim como era subir para uma Série C e, principalmente, ser campeão de uma D. Mas acho que isso não deve ser uma cobrança, se vamos ser ou temos que ser, o que faremos é trabalhar como estamos fazendo desde 2008, sem mudar o nosso perfil que temos dentro do departamento de futebol. Queremos montar um time competitivo e, jogo a jogo, fase a fase, buscar algo melhor para o nosso clube”, finaliza.

A projeção da torcida
Se a diretoria e patrocinadores mostram otimismo com o 2020 do Brusque, a torcida também não é diferente. Otimismo esse que ficou cada vez mais evidente ao longo do ano. As conquistas encheram de orgulho o torcedor que, como nunca, vestiu as camisas do clube em todos os cantos da cidade e até mesmo em outros estados e no exterior. Dos mais jovens aos mais velhos, o Brusque voltou a encantar a todos que carregaram no peito o escudo e a cores do Bruscão. Agora, esses torcedores querem mais, porém cientes de que o Brusque ainda tem um longo caminho a percorrer.

Para o torcedor André Braga, o time tem grandes chances de chegar à final e brigar pelo título do Catarinense. Segundo ele, o fato de o Brusque estar em ascensão e as outras equipes em baixa fazem com que o time entre na competição com protagonismo. “Na Copa do Brasil, se passarmos da primeira fase, é lucro. Pegamos um time de Série A, difícil. Na Série C, creio que não é obrigação nenhuma subir para B, se manter na C, e acho que é isso que vai acontecer, já é bom negócio. Se subirmos também é lucro, só não podemos cair para D”, afirma.

Oberdan Grotti comenta que o Brusque fez um ano perfeito em 2019, que elevou a equipe inclusive no ranking de clubes, mas também tem os pés no chão. “Pelo que o Brusque fez em 2019, todo trabalho realizado pelo presidente Danilo, diretoria e jogadores, a expectativa é fortalecer o elenco ainda mais para nos mantermos bem. Mas não adianta sonhar muito também. Se fizermos um bom catarinense já está de bom tamanho, talvez possamos brigar por mais um título catarinense, que é um título muito cobiçado no estado e algo que sempre fica marcado. Temos cinco copas, mas somente um estadual”, observa. “Na Série C a expectativa é se manter e fazer uma boa participação na Copa do Brasil. Quem sabe não possamos ir um pouco mais longe, que é o que todo torcedor sonha”, projeta.

Campeonato Brasileiro Série D
16 jogos
9V – 4E – 3D – Aproveitamento de 64,5%
29 gols marcados – 12 sofridos
Saldo de 17

Campeonato Catarinense
18 jogos
5V - 5E - 8D – 37% de aproveitamento
17 gols marcados – 21 sofridos
Saldo de -4


Copa SC
18 jogos
9V – 4E – 5D – Aproveitamento de 57,4%
32 gols marcados – 21 sofridos
Saldo de 11


Copa do Brasil
1 jogo
0V – 1E – 0D
1 gol marcado – 1 gol sofrido
Saldo de 0


Recopa
1 jogo
0V – 0E – 1D
0 gols marcados – 1 gol sofrido
Saldo de -1


Campanha no ano
54 jogos
23V – 14E – 17D – 51,2%
79 gols marcados – 56 gols sofridos
Saldo de 23

Fotos: Lucas Cardoso/Arquivo 



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