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Repórter: Sidney Silva
Publicação: 01/08/2017 14h19
Atualização: 03/08/2017 15h59

Poucos atletas têm no currículo tantas conquistas como Ricardo Luís Pozzi Rodrigues, o Ricardinho, como é conhecido. Nascido em São Paulo mas revelado na base do Paraná Clube, em Curitiba, o ex-jogador de Corinthians, Santos, São Paulo e Atlético-MG se notorizou como um dos últimos camisas 10 clássicos das duas últimas décadas do futebol brasileiro.

Pentacampeão com a seleção brasileira em 2002, Ricardinho também participou da Copa de 2006 e conquistou alguns dos títulos mais importantes do futebol brasileiro, entre eles o título mundial de 2000 com o Corinthians. No Timão foi onde viveu um dos seus principais momentos e se tornou ídolo da Fiel ao vencer pelo clube paulista os Brasileiros de 1998 e 99, a Copa do Brasil de 2002, dois campeonatos paulistas e o Torneio Rio-São Paulo.

De passagem por Brusque para acompanhar os três filhos em uma competição de escolinhas de base, Ricardinho conversou de forma exclusiva com EsporteSC, destacou os principais momentos da carreira, o trabalho de base no futebol brasileiro e também sobre a vida de treinador, profissão que o agora ex-jogador escolheu assim que pendurou as chuteiras, em 2011.

Ficha Técnica
Ricardo Luís Pozzi Rodrigues (Ricardinho)
Nascimento: 23/5/76, em São Paulo (SP)
Clubes como jogador: Paraná, Bordeaux (FRA), Corinthians, São Paulo, Middlesbrough (ING), Santos, Corinthians, Besiktas (TUR), Al-Rayyan (CAT), Atlético-MG e Bahia
Títulos: 1 Copa do Mundo (2002), 1 Mundial de Clubes Fifa (2000), 3 Campeonatos Brasileiros (1998, 99 e 2004), 1 Copa do Brasil (2002), 1 Copa da Turquia (2007), 3 Campeonatos Paulistas, 3 Paranaenses, 1 Mineiro, 1 Torneio Rio-São Paulo.
Clubes como treinador: Paraná, Ceará, Avaí, Santa Cruz, Portuguesa, Tupi (MG)
Títulos: Campeonato Paranaense da Divisão de Acesso (2012), 1 Campeonato Pernambucano (2015)

EsporteSC – Como foi o início da sua carreira?

Ricardinho - Joguei 16 anos como profissional. Comecei na base do Paraná, joguei dois anos e meio no profissional e depois fui para França, vendido ao Bordeaux. Depois fui comprado pelo Corinthians, joguei quatro anos, aí fui para o São Paulo, Middlesbrough, Santos, Corinthians de novo, depois Besiktas, Al-Rayyan (CAT), Atlético-MG e Bahia. Meu primeiro ano profissional foi em 1996 e o último em 2011. Comecei cedo jogando futsal com sete anos, joguei futsal por 11 anos. Foi praticamente minha escola, depois consegui ser profissional por 16 anos.

EsporteSC – Qual foi o momento que mais te marcou na carreira?

Ricardinho: Poxa vida... (pensa...) Acho que existem vários momentos. O primeiro deles acho que é de você poder jogar quando criança, que nem meus filhos hoje, ter oportunidade de jogar numa equipe e se divertir. Vejo que, apesar de ser sério para as crianças, até a adolescência é uma diversão. O segundo momento é chegar ao profissionalismo, e o terceiro chegar à seleção brasileira e disputar duas Copas do Mundo. E acho que o quarto momento, não que estes sejam os mais importantes, mas descrevendo minha trajetória, são os momentos das conquistas, os títulos, desde criança como profissional, no futsal, seleção, até encerrar a carreira.

EsporteSC – Você se formou na base do Paraná, hoje tem os filhos treinando no Atlético, como vê isso?

Ricardinho - Acho que eles não têm que ter necessariamente a mesma trajetória que eu. É o momento e gosto deles, e a facilidade que a gente tem. Hoje a escolinha do Atlético é do lado da minha casa e isso facilita, até porque quando estou em algum clube minha esposa pode levar com facilidade. É mais por isso e, como disse, por não achar que necessariamente eles devem ter a mesma trajetória. Não sei se serão jogadores, estão se divertindo, tomando gosto pelo futebol. Se eles forem jogadores serei muito feliz, senão forem e escolherem outra profissão ficarei muito contente também. O mais importante é que o futsal dê para eles o que deu para mim, que é formar um cidadão, de bom convívio com o grupo, pais, de bom ambiente, que eles possam viver isso e serem cidadãos de bem.

EsporteSC: O que o futebol mais lhe ensinou e qual a mensagem deixa para os jovens que querem se tornar jogadores de futebol?

Ricardinho - Primeiro se divirta, com responsabilidade, porque o menino entra na quadra querendo ganhar, uns choram porque perdeu, mas todas estas etapas fazem parte de um aprendizado, técnico de quem vai continuar e ter uma oportunidade no futebol, ou até mesmo social, de grupo, de saber respeitar e conviver com o companheiro, respeitar hierarquia... A mensagem que fica é essa. E ai você consegue formar cidadãos, bons jornalistas, advogados, pessoas do bem que vão ter cabeça boa porque cresceram num ambiente bom, que pai e mãe estão próximos, e que o perder ou ganhar passa a ser um detalhe pois a dificuldade da vida existe em qualquer profissão. É a mensagem que deixo para meus filhos todos os dias, é a pauta da casa. Eles não têm obrigação de serem jogadores de futebol, mas o que quiserem fazer vão ter meu apoio, desde que se preparem e sejam pessoas de bem.


EsporteSC – Quais seus planos para o futuro como treinador?

Ricardinho – Penso em assumir uma equipe ainda esse ano, existe essa possibilidade próxima. No ano passado eu tive um pequeno problema de saúde, mas que exigiu que eu ficasse um tempo me cuidando, mas agora estou totalmente recuperado e já posso neste momento assumir uma equipe. O exterior é uma consequência do trabalho. Estou há cinco anos como treinador, é uma carreira curta, mas já passei etapas importantes, com conquistas, no Paraná, Santa Cruz. Lógico que é um mercado competitivo, mas estou satisfeito, acho que é questão de oportunidade mesmo e a gente deve ter algo próximo para que tenhamos continuidade na carreira, que é aquilo que a gente gosta de fazer e eu me preparei para isso. Tenho pessoas que trabalham comigo da mais alta competência e a expectativa é em breve estar à frente de um clube.


EsporteSC – Como você vê a formação e o cenário do futebol brasileiro hoje?


 Ricardinho
- Acho que a base é o alicerce do futebol, os jogadores tem que ter uma boa base, em todos os aspectos, emocional, comportamental, e principalmente no aspecto técnico. O jogador quando chega no profissional tem que estar preparado em todos os aspectos que falei, mas principalmente o técnico, saber executar todos os movimentos do jogo com boa qualidade. E isso a gente vê que no profissional muitas vezes o treinador tem que exercitar essa parte porque às vezes falta um bom cruzamento, um passe. Alguns jogadores jovens às vezes têm essa dificuldade e acabam melhorando no decorrer da carreira. Na minha geração era um pouco diferente, hoje é mais cedo, o quanto antes o jogador que tem qualidade vai para profissional, e há necessidade de ele corresponder a altura porque a exigência é grande. O futebol brasileiro, como sempre, é muito competitivo, lógico que com algumas equipes mais organizadas que as demais em alguns aspectos. Isso passa pelo trabalho do treinador que organiza bem o time, do clube organizado, da questão financeira. Às vezes o clube é bem organizado, mas não tem condições de montar um bom time, ter um bom trabalho na base. Esse ano, espero que o futebol brasileiro chegue às finais da Libertadores, competição mais importante do continente. E a expectativa, em breve, daqui um ano, é pela seleção, pelo que vem demonstrando, já que conseguiu trazer de volta a motivação do brasileiro em relação ao Mundial. Esperamos acompanhar a seleção em busca de mais uma conquista.



Sidney Silva

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