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Repórter: Sidney Silva
Publicação: 02/05/2016 14h01

A extinção da Fundação Municipal de Esportes anunciada há cerca de duas semanas pelo prefeito interino Roberto Pedro Prudêncio Neto divide esportistas e demais pessoas ligadas ao esporte na cidade.

Para alguns a medida é considerada um retrocesso, enquanto outros acreditam que possa ser uma ação positiva em meio ao cenário econômico atual.

O certo é que muita polêmica deve vir pela frente em um assunto que, prestes a ser votado na Câmara, mesmo com grande relevância, ainda não ganhou a devida importância tanto no Legislativo quanto na própria comunidade.

Procuradas pela reportagem, poucas lideranças esportivas se manifestaram. Algumas em razão de convênios de suas modalidades com a prefeitura, outras em virtude do atual momento político do município.

O próprio Conselho Municipal de Esportes, criado há três anos para dar mais respaldo às entidades e ser um elo entre os representantes esportivos, a Fundação Municipal de Esportes e o poder Executivo também não se manifestou oficialmente a favor ou contra a matéria.

Na Câmara, segundo informações repassadas à reportagem, a votação deve ser apertada, com a oposição votando contra e membros da situação divididos, gerando aliciamento de alguns para acompanharem o governo, que tem maioria na casa.

Em meio a isso surgem dúvidas sobre o real impacto caso a medida seja aprovada. O fato é que nem o reflexo econômico ainda foi apresentado à comunidade. Outro senão com a extinção da FME para junção à Secretaria de Educação é em relação a funcionalidade da Lei do Sistema Municipal de Esportes, sancionada pelo até então Prefeito Paulo Eccel no início do ano passado. 

Esta organizava o esporte de cima abaixo, desde a distribuição dos recursos, e sobretudo, fazendo a distinção entre atletas de base e rendimento. Se confirmada e extinção da FME, sua existência perde razão, bem como o Conselho a sua força para a aprovação de projetos. 

Outra preocupação de lideranças contrárias a junção é o fato de que com a vinculação da FME à Educação perde-se a oportunidade de captar recursos via as leis de incentivos federais, como projetos junto ao Ministério do Esporte, que poderiam ser angariados pela FME.

O que dizem autoridades e o conselho
O superintendente da Fundação Municipal de Esportes, Delmar Tondolo, evita polêmicas. Na FME há mais de três décadas, ele viu de perto a fundação nascer em 2009, foi um grande defensor da autonomia da pasta, mas diz que não acredita que o esporte sejá prejudicado agora, com a sua extinção. “É uma alternativa que a administração encontrou para diminuir custos. São 18 cargos comissionados a menos nesta minirreforma, e temos possibilidade de algumas das nossas despesas irem para Educação, que fará o gerenciamento de projetos”, comenta.

Ele destaca que, caso aprovado pela Câmara, a FME passará a ser uma diretoria dentro da Educação, mas na prática, só não terá a caneta. “O prefeito nos garantiu que continuaremos tendo autonomia para trabalhar, inclusive com a manutenção do orçamento que temos hoje e possibilidade de captar mais recursos pela Educação”. Ele lembra que parte dos professores atualmente já são vinculados à pasta e ganha-se também a oportunidade de usufruir melhor da estrutura já consolidada. “O que faz as coisas acontecerem são pessoas e a boa vontade política de ver as situações avançarem. Tendo esse interesse não importa se existe uma secretaria ou não para isso”, declara.

O jornalista e presidente do Conselho Municipal de Esportes, Rodrigo Santos, todavia, se declara contrário à proposta. “A promessa é de que o orçamento seja o mesmo e não modifique o trabalho, mas é uma mudança na base da palavra, não temos garantia nenhuma”, critica.

Ele destaca que a Educação tem orçamento maior, mas não há nada que garanta mais investimento no esporte, nem que comprove que a decisão seja melhor para o segmento esportivo. “Muito pelo contrário, cortaram cargos. Eu entendo que é um retrocesso, pois quando a FME foi constituída ela deu um crescimento para o esporte local, trouxe bons resultados. Hoje a fundação funciona bem e dentro do orçamento limitado fechou o ano com as finanças fechadinhas. Então, entendo que não há motivo para fechar algo que está funcionado tão bem e sem uma garantia que haverá incremento de orçamento. Só na base da promessa e sem garantia não podemos aceitar isso”, declara.

O técnico de natação, José Armando Vasques Soto, o Bay, e o treinador de atletismo, João Francisco Nunes, divergem sobre a situação. Para Bay, é preciso separar Esporte de Educação. “São duas coisas distintas. Veja meu caso por exemplo, eu trabalho com rendimento, mas sou vinculado à Educação. Acredito que as coisas serão muito mais burocratizadas. Já vivemos isso antigamente e agora melhorou um monte com a FME. É algo muito triste”, diz.

Para Nunes, o fato de a Educação ter uma estrutura já consolidada pode ajudar o esporte a se desenvolver em outras áreas. “Não tenho acompanhado muito o que está acontecendo, mas hoje está todo mundo enxugando. Acredito que se houver sintonia entre a Educação e essa diretoria que será criada não teremos problemas. Hoje a Educação já ajuda muito professores e técnicos. Pode, sim, ser algo bom para o esporte”, comenta.



Sidney Silva

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