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Repórter: Sidney Silva
Publicação: 25/07/2019 12h19
Atualização: 12h25

André Gohr, 22 anos é o nome do momento do ciclismo brasileiro. Campeão da categoria elite no fim de junho, durante o Campeonato Brasileiro realizado em Paulínia (SP), o brusquense é só alegria com a vitória expressiva na prova de contrarrelógio, sua especialidade.

Gohr já havia mostrado seu potencial nas categorias de base do ciclismo. O título na elite foi apenas a consolidação do atleta que já tinha vencido também a categoria junior e Sub-23.

São 11 anos de dedicação pela modalidade, que culminaram, entre outros grandes resultados, como a conquista dos Jogos Sulamericanos da Juventude, em 2013, e um quinto lugar na prova de contrarrelógio nas Olimpiadas da Juventude do ano seguinte, em competição realizada na China.

Depois disso, o brusquense ainda passou um período de três anos na Union Cycliste Internationale (UCI), o Centro Mundial de Ciclismo, na Suíça, referência mundial na modalidade, e ainda foi convocado para representar a seleção brasileira no Panamericano. Atualmente, Gohr, que é atleta da equipe Funvic/Pindamonhangaba, de São Paulo, ainda integra o programa de atletas de alto rendimento da Força Aérea Brasileira.

Nessa entrevista especial ao Jornal EsporteSC, o atleta conta um pouco da carreira, a ligação com o pai e os próximos objetivos para o futuro

EsporteSC - Como foi o seu início no ciclismo? O que representa a modalidade hoje para você?

André Gohr - O ciclismo hoje é minha vida. Quando comecei a pedalar, quando meu pai (Eduardo Gohr) corria e me apresentou a bicicleta, aos 11 anos, ainda fazia natação durante a semana, na época pela APNB, mas nos fins de semana praticava ciclismo com intensidade e acabei optando pelo ciclismo. E, desde então, tenho vivido um sonho. Ganhar o campeonato junior, ficar três anos na Europa, participar da seleção brasileira e representar o país no Sulamericano.

EsporteSC – Como analisa seu momento atual no esporte?

André Gohr - Hoje sou um cara extremamente realizado, vivo do ciclismo e tenho títulos importantes na carreira que abrem o horizonte para o futuro. Sonho em ainda ser campeão panamericano e disputar uma Olimpíada.

EsporteSC – Como foi para você vencer a categoria elite no ciclismo?

André Gohr - Foi um ano atípico para mim, mas para o lado bom, depois que ganhei o junior. Muita gente grande, quando passa para a elite, não mantém o resultado. Para mim foi uma forma de me reafirmar, ganhar confiança e ver que é possível.

EsporteSC – Você esperava esse resultado?

André Gohr - Foi um trabalho de dois meses. Eu dormia e acordava pensando na bicicleta. Nos últimos 20 dias estava com o foco total na prova. No dia, estava confiante. Tinha na minha cabeça que não tinha ninguém para ganhar de mim. Nos treinos, os números mostravam e era evidente que eu nunca estive numa forma física tão boa mas ainda não tinha tanto norte. Estava muito confiante, mas sabendo que disputaria com atletas que já tinham títulos nacionais.

EsporteSC – Ao vencer a prova, a primeira coisa que você fez foi ligar para o seu pai, Eduardo Gohr, que também era ciclista e por muito tempo foi seu treinador. O que passou na sua cabeça?

André Gohr - Passa um filme muito grande. Desde o começo, quando comecei, vem na memória toda a minha trajetória. Lembrei dele, da minha mãe (Vania), e irmã (Amanda) que estiveram comigo. São poucas pessoas que me conhecem e sabem o quanto treinei e me dediquei para aquele momento. Foi um choro de desabafo. Foi a realização de um sonho. Algo que não tem como explicar.

EsporteSC – Essa relação com o seu pai sempre foi muito forte. O que ele representa na sua carreira?

André Gohr - Meu pai é tudo para mim, tudo que tenho agradeço a ele. Desde que iniciei a carreira o diferencial era ele junto, acordar e dormir com esse ambiente. E nós dois somos competitivos. Temos essa gana de sempre querer ganhar. Sabemos que com trabalho o resultado vem, e isso sempre ocorreu de forma natural. Antes de pai e filho, a gente é muito parceiro. Sou extremamente grato a ele por tudo.

EsporteSC – Quais seus objetivos e planos para o futuro?

André Gohr - Chegar no topo é mais fácil, meu foco agora é me consolidar como um ciclista de referência na elite. Este ano tenho no segundo semestre as Olímpiadas Militares, que serão realizadas em outubro, na China, e tenho consciência de que é possível lutar pela vitória. E a longo prazo é ser campeão panamericano e brigar por uma vaga na Olimpíada de Paris, em 2024. Para Tóquio (2020), é difícil, porque existem outros ciclistas mais experientes, mas em 2024 com certeza estarei na briga por esse objetivo.



Sidney Silva

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