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Repórter: Sidney Silva
Publicação: 25/09/2019 09h31

Um local aconchegante, em meio à natureza e pertinho do coração de Guabiruba. Localizado no bairro Aymoré, o Hotel Rural Sítio do Sol, para muitos, é o lugar ideal para férias, casamentos e um bom descanso ao ar livre. Mas esconde, entre as belezas do local, muitas outras atrações que tem feito do espaço um lugar dinâmico e diferenciado na região, não à toa recebendo turistas e aventureiros de vários locais do país.

Mas um atrativo tem chamado a atenção do público que visita o espaço: a prática do tiro esportivo. O ambiente propício é mais um chamariz para aqueles que gostam ou até mesmo para quem tem a oportunidade de manejar uma arma pela primeira vez, tudo acompanhado pelo instrutor Sergio Roberto Schork. Um dos sócios do Clube Caça e Tiro Esportivo Aymoré, ele comemora o fato de o local conseguir recentemente o Certificado de Registro (CR), do Exército Brasileiro, e também toda documentação da Polícia Civil. “Até pouco tempo tínhamos o alvará de localização, agora temos também o CR. Nossa ideia agora é fazer cursos de iniciação e posteriormente promover campeonatos”, ressalta ele.

O início

A história de Sérgio com as armas começou logo cedo, aos 5 anos. Ele relata que, como todo alemão, desde cedo já tinha vontade. A primeira oportunidade de apertar um gatilho ocorreu quando ele tinha entre 10 e 11 anos. “Meu pai já tinha espingarda na época, e aquele tempo podia. Morava aqui na Guabiruba e não havia nada por perto”, conta.

Hoje com 52 anos, ele lembra que, naquela época, Guabiruba em nada se parecia com a cidade atual, que com o passar dos anos foi ganhando casas modernas e grandes indústrias, mas o guabirubense fez questão de manter o sítio que hoje virou uma herança de família.

Mas foi quando Sérgio conheceu a gaúcha Malu Giusto que o espaço recebeu uma verdadeira transformação. “Quando cheguei em Guabiruba trabalhava com planejamento estratégico e marketing, e conheci um guabirubense (Sérgio), e aí tive a ideia, pois tinha que fazer algo para continuar aqui”, conta a hoje esposa.

A ideia foi uma reformulação no local, que passou a ter uma concepção diferente do que até então havia na região. A casa de Sérgio passou a servir como um ponto para o turismo rural, valorizando conceitos de sustentabilidade. “Eu morei na Itália e lá é muito forte esse conceito. Pensei, para ficar aqui, tenho que transformar esse lugar, que era um sítio, e foi nessa época que conheci a Lilian, que é nossa gerente até hoje”, conta. “A Lilian era esteticista, conheci ela nos Ingleses (em Florianópolis) e seu marido trabalhava com a construção de sites. Eles vieram nos ajudar pois queríamos um site para atuar no Airbn (plataforma de reservas para hospedagens). Isso acho que era em maio, e em julho de 2018 nós já abrimos com dois hóspedes cariocas, que se tornaram nossos amigos e são clientes até hoje”, comenta.


O Hotel Sítio do Sol

O Hotel Rural Sítio do Sol abriu as portas oficialmente em 7 de julho de 2018, na data de aniversário de Malu, que exatamente um ano depois selou seu casamento com Sérgio, justamente no local. “É uma data muito especial porque também é a data de aniversário da fundação do Clube Caça e Tiro Esportivo Aymoré, em julho de 2017”, lembra ela. “O casamento próprio realizado no local ainda aumentou o conceito do espaço e abriu um novo mercado. “Antes do casamento já fazíamos eventos, mas usávamos a estrutura com tenda, agora fizemos o evento oferecendo toda parte de cerimonial, com DJ’s. Fazemos um briefing e já oferecemos tudo no local. Queremos promover eventos para comportar até 300 pessoas num espaço personalizado até o início do ano que vem”, comenta.

Atualmente, o Hotel Rural Sítio do Sol conta com 6 bangalos que comportam até 4 pessoas cada, com banheiros privados e aquecimento com gás. Além disso, no espaço há 10 quartos, 5 familiares e outros 5 para casais. O hotel atende pedidos individuais e em grupos, como evangélicos, encontros familiares, Emaus, festas de casamentos, quando os hóspedes querem ficar todos juntos, entre outros. “Oferecemos também o dia da noiva, spa, maquiagem, escova. Já fizemos até reconciliação. Ligamos, compramos flores, colocamos no quarto. A ideia é fazer com que as pessoas aqui se sintam em casa”, conta Malu.

Instruções de tiro ganham espaço

O atrativo da vez agora são as instruções de tiro realizadas por Sérgio. Ele é instrutor, armero e faz recarga. Desde 2011 tem o CR (Certificado de Registro do Exército que possibilita a aquisição legal de armas para as atividades de tiro desportivo, caça ou coleção), mas desde 2004 já tem arma legalizada pela Polícia Federal. Hoje ele tem diversos modelos de armas, todas registradas. Além de dar as instruções de tiro, também auxilia os interessados a adquirirem as armas. “É um vício”, garante. “Depois que você dá o primeiro tiro não para mais”, comenta. A opinião é compartilhada pelo amigo Raul Nauffal Junior, que também faz parte do Clube Caça e Tiro Esportivo Aymoré. Ambos ressaltam que para tirar o CR é necessário estar vinculado a um clube. “Eu atiro desde os meus 20 anos. A arma se torna uma cachaça. Depois do primeiro tiro, vira um hobby. Quando você perde o medo da arma e assimila as normas de segurança, se torna um esporte que te dá prazer”, comenta, e já dá a receita à reportagem de EsporteSC. “O dia que você estiver estressado, vai e dá um tiro de fuzil que você verá que vai ficar bem. A adrenalina vai lá em cima”, conta.


Como funciona
As instruções são realizadas pelo próprio Sérgio no Hotel Rural Sítio do Sol, e o hóspede já pode, no próprio momento da reserva, solicitar a inclusão de um pacote de tiro, caso assim deseje. “O clube já oferece vários cursos de iniciação de tiro, desde aquele que não tem contato até ao avançado. É o esporte que mais vicia. A gente pensa em promover campeonatos internos e outros eventos”, conta.

Aficionado por tiro e arma, Sérgio comemora a nova política de armamento defendida pelo presidente Jair Bolsonaro. “Antes eu já tinha, mas era algo mais restrito, mas com a chegada do Bolsonaro melhorou, tomara que ele consiga aprovar todas as matérias vinculadas ao tema”, espera.

Os projetos que facilitam a aquisição de armas são vistos como uma oportunidade de negócio para ele, mas, sobretudo, um direito de defesa todo o cidadão, comenta. “Hoje a tramitação está bem mais ágil. Não tem tanta complicação. A liberação é um direito do cidadão. Acho que ele deve praticar e, caso se sinta seguro, ter uma arma”, defende.

Sérgio também discorda sobre crenças que defendem que a liberação de armas pode aumentar a violência no país. “É sempre bom ressaltar que não é qualquer pessoa que vai ter acesso a uma arma. É preciso passar por testes psicológicos, ter aulas práticas de tiro e atender uma série de requisitos”, ressalta.

Entre os requisitos citados, é necessário ter mais de 25 anos, não ter antecedentes criminais em qualquer instância, apresentar laudo psicológico, entre outros. Atualmente, em cerca de 30 dias já é possível adquirir a posse de uma arma legalizada com o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) da Polícia Federal. O CR, do Exército, pode levar cinco meses. “Sérgio destaca que o porte (quando é possível se mover com a arma para determinados lugares) ainda está limitado para algumas categorias.

Quem quiser saber mais sobre o assunto, pode procurar o próprio instrutor. “Aqui no clube fazemos toda a parte burocrática de trânsito”, comenta. Para quem deseja ter o Craf, por exemplo, o custo do teste de tiro sai em torno de R$ 180. É preciso pagar ainda uma taxa de R$ R$ 180 para o exame psicológico e pagar uma outra taxa de R$ 90 da PF. Para conseguir o CR, do Exército, o valor fica em torno de R$ 1 mil. Os cursos podem ser feitos em até um dia, no próprio Clube Caça e Tiro Esportivo Aymoré. E para quem defende que as armas não são acessíveis, o instrutor destaca que existem muitas opções de preços, para todos os bolsos. “Armas curtas e longas depende do calibre, não é um absurdo, tem curtas a partir de R$ 3,5 mil”, observa. “Uma 12, longa, pode custar R$ 1,2 mil. De certa forma é acessível para qualquer um”, completa.

O instrutor também dá as dicas para quem quer adquirir uma arma, tudo com a mais devida segurança. “Nós, que praticamos tiro, o lema é três vezes segurança. Uma bala não mente, onde pega vai fazer um estrago”, alerta.  “A primeira coisa que identificamos é a intenção da pessoa, depois, possibilitamos o primeiro contato, tipos de arma e fazemos toda orientação. A pessoa pode até dar uns tiros acompanhado”, diz. “A maioria que tem contato fica viciada e não desiste da compra da arma, até porque tem a questão da defesa em casa. É importante também a mulher saber usar, pois muitas vezes está mais vulnerável”, comenta.

Quem quiser saber mais pode entrar em contato com o próprio Sérgio, no telefone: (47) 9 9881-7878, ou no Hotel Rural Sítio do Sol, rua Prefeito Carlos Boos, bairro Aymoré, em Guabirubal. Telefone: (47) 3351-6447



Sidney Silva

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