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Repórter: Sidney Silva
Publicação: 14/08/2019 17h59

A partir dessa quinta-feira (15) será dada a largada para mais uma edição dos Jogos Escolares de Brusque. A competição, que envolve alunos da rede pública e particular de ensino, movimenta cerca de 3 mil alunos de 29 unidades escolares de Brusque.

Além de ser o torneio seletivo para a etapa Estadual dos Jogos Escolares, a disputa é vista ainda como a oportunidade de a cidade descobrir novos talentos que surgem na competição, um dos últimos casos é o do jovem estudante  Pedro Paulo Kohler, de 14 anos, aluno da 8ª série da Escola Municipal Georgina de Carvalho Ramos da Luz. Recentemente ele foi medalhista de ouro na prova do salto em distância da etapa estadual dos Jogos, disputados na cidade de Curitibanos.

O detalhe é que o atleta correu descalço para realizar o feito. “Comecei nos Jogos Escolares, pois os professores faziam teste e quem se destacasse em uma ou duas provas era mandado para representar a escola, aí eu me destaquei nos 75 metros e no salto em distância”, conta ele. “Desde que comecei no salto em distância (em 2016) já pulava descalço, mas peguei esse hábito porque no primeiro dia meu tênis havia estragado, ai pulei descalço e fui bem”, conta.

Treinador do atleta na escola Georgina, Jefferson de Souza, o Bigode comenta que a competição é um momento único para os estudantes. “É muito importante porque dá a oportunidade de o aluno vivenciar na prática o que trabalhamos na escola. Não fica só na teoria, e tem a questão competitividade. Quando se parte para vencer ou para se chegar a um objetivo, é diferente a motivação”, observa. “Os jogos trazem isso, a expectativa de vencer e ganhar uma medalha. É um ambiente que os atletas não têm no dia a dia escolar e por isso é muito positivo”, destaca.

Georgina privilegia alunos com boas notas
Cerca de 80 alunos da escola participam dos Jogos Escolares. Um fato curioso da Georgina da Luz é que a escola tem um regimento interno que determina que alunos com notas abaixo da média não podem participar dos Jebs. Segundo Bigode, a medida acaba sendo um estímulo para que os atletas se dediquem mais aos estudos. “Sempre fica aquela expectativa de que para ir para os jogos é preciso ter um bom rendimento. Então eles se cobram muito, claro que se tem alguma situação específica a gente avalia, mas, em geral, creio que eles estão indo bem”, observa.

Professor da Escola Paquetá ressalta integração entre os alunos
Para José Carlos Torresani, o Zé Carlos, professor da Escola do Paquetá, fica nítido a ansiedade dos alunos para vivenciarem essa experiência. “O legal dos Jogos Escolares é o fato de eles propiciarem a essas crianças momentos únicos. Alguns saem do bairro somente nesta oportunidade, podem jogar numa Arena Brusque. Esse ano demos a ideia para a FME de realizar o futsal no Guarani para que os menos tenham a experiência, por exemplo, de sair de uma quadra de cimento, que é a realidade da maioria das escolas, para jogar em quadras com outra estrutura”, diz.

O treinador também ressalta o intercâmbio que é feito entre os alunos. “Os alunos fazem amizades com estudantes de outras escolas, isso é legal. Estou há 20 anos nisso, tendo a oportunidade de levar essas crianças, principalmente de escolas públicas, e sei que faz uma diferença tremenda para eles”, destaca Zé Carlos.

Competição também envolve às escolas rurais
No Cedro Alto, uma das escolas mais afastadas da zona urbana, os Jogos Escolares também são assuntos na pauta. Conforme comenta a professora Magali Sens Furtuoso, os alunos não veem a hora de participar da competição; “Somos uma escola rural pequena, que não tem nem 400 alunos, e acolhemos crianças e adolescentes que vem de localidades ainda mais isoladas. Temos uma pequena estrutura física, só quadra de piso bruto, sem cobertura, trabalhamos embaixo de sol, mas os alunos superam tudo isso na hora de disputar com outras escolas”, comenta.

Ela diz que a escola tem uma competição interna que movimenta os estudantes em várias modalidades durante todo o ano. Os Jogos Escolares são a oportunidade de ver os talentos locais fazerem frente às escolas mais estruturadas e aos alunos das escolas privadas. “Alguns alunos, quando chegam num momento como esse, chegam lá com a autoestima baixa, mas quando ganham a felicidade é indescritível, porque achavam que iam perder”, observa. “O mais bacana é ver no rosto de cada um a felicidade de representar uma escola tão pequena e de tão pouca estrutura e, mesmo assim, chegar lá e ver que eles têm o potencial de fazer igual ou melhor que outros alunos”, destaca.



Sidney Silva

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