Conteúdo
Repórter: Redação
Publicação: 25/09/2019 13h56
Atualização: 14h18

A experiência nos esportes radicais e no mundo da adrenalina não segurou o choro e a emoção do brusquense Denísio Nascimento com a realização de um dos principais sonhos da carreira. No dia 1º deste mês, Deni, que já fez história nas motos, celebrou pela primeira vez a conquista do Rally dos Sertões na categoria UTV’s, e consolidou uma trajetória que já é de sucesso na modalidade.

Dirigindo o UTV Can-Am Maverick X3, ao lado do navegador e grande amigo, Idali Bosse, Deni juntou o título dos Sertões com o do Brasileiro, competição em que a dupla é tricampeã com a equipe Bompack Racing.

O piloto ressalta que a conquista é algo que ele já vinha buscando desde 2009. “Só quem vence um rally sabe como é a emoção. Você vencer o rally em uma categoria como já venci, na Super Production, em 2009, é legal, gostoso, mas você vencer numa geral é diferente. Cada edição só tem três ganhadores. Eu já havia ganho nas motos, mas não na geral, então era algo que eu vinha perseguindo há muitos anos”, diz.



O início da trajetória

Deni iniciou na categoria UTV’s em 2015, quando passou a competir até 2016, sem grande sucesso, com a marca Polaris. O protagonismo nos UTV’s começou na temporada seguinte, quando a equipe do atleta fechou patrocínio com a marca Can-Am. “Desde então, conseguimos muitos êxitos, sendo campeões brasileiros de 2017, 18, e esse ano confirmamos nos Sertões o tricampeonato”, comemora.



Problemas e desafios

O título dos Sertões ainda estava faltando na carreira de Deni, algo que, como ele mesmo diz, “estava escapando” desde quando passou a ter protagonismo nos UTV’s. Em 2017, primeiro ano correndo pela marca Can-Am, ele chegou a liderar a prova junto com Idali, mas teve problemas no carro e foi obrigado a abandonar a disputa. Já no ano seguinte, em 2018, piloto e navegador seguiram na briga pelo título até praticamente o último dia, porém um pneu furado fez com que os competidores perdessem quatro minutos na prova, cruciais para deixar escapar a conquista. Restou então o vice-campeonato. “Esse ano foi o ano que planejamos, sabia que tínhamos condições, carro competitivo, equipe sincronizada, então, não dependia somente de mim e do Idali, mas de toda estrutura ao redor. Estávamos preparados para sermos campeões”, diz.



Pane no carro quase tira sonho do título

Mas se engana quem pensa que o título veio de forma tranquila. Mesmo com toda preparação e sincronia da equipe, Deni e Idali enfrentaram diversos obstáculos até a sonhada conquista. “Desde o primeiro dia a gente sofreu pequenos problemas, com panes. Confesso que cheguei a pensar: “Deus, o que está acontecendo”, afirma. “A gente se programou, estava tudo certinho, e sabíamos o que tinha que fazer, o ritmo que deveríamos andar e quais eram os adversários. De repente, tivemos problemas com a tração do carro e precisamos andar dois dias no 4x2, e perdemos muito sem a gente descobrir qual era o problema. Aí, de uma hora para outra o carro para e dá uma pane. Cheguei a dizer para o meu navegador que tinha acabado ali. “Falei, cara, não foi esse ano de novo”.


“Deus operando”

Em meio a consternação, a fé foi um dos motivos que deram a última esperança aos pilotos. O alívio veio pouco depois, como uma obra divina. “A gente parado no meio da especial, desligamos o carro e esperamos alguns segundos, resetamos e ligamos a chave geral de novo. O carro felizmente apagou todas as anomalias. Foi Deus operando e trabalhando porque não tem explicação”, relembra Deni. “Deus ouviu minhas orações e simplesmente nos botou de novo na prova, nos primeiros dias não ganhamos nenhuma etapa, mas conseguimos ficar sempre entre os cinco primeiros, que era o que importava”.


Regularidade e ousadia garantem o triunfo

Os objetivos de Deni e Idali eram claros, terminar cada etapa perto dos primeiros colocados para manter uma pequena diferença da liderança. A partir da quinta etapa, as coisas começaram a jogar a favor e a vitória começou a ser construída.  “Na quarta etapa a gente saiu para tentar diminuir a diferença, porque estávamos com pouco mais de três minutos atrás, mas aí a gente teve problema, quebrou uma correia, e, ao invés de diminuir o adversário aumentou para 8 minutos a diferença.

Então, quando chegou na quinta etapa tivemos o que chamamos de etapa marathon, que no rally sempre acontece. É uma etapa onde não pode ter auxilio mecânico, são dois dias sem, e que eram os dias mais longos e duros do rally, onde todo mundo, de certa, forma tenta se preservar porque tem que terminar aquela ‘coisa’”, explica Deni. “Como era dentro do Jalapão, região com areia, que gosto muito de andar, sabíamos que ali tínhamos que fazer algo diferente, então projetamos de botar ritmo mais alto, e foi o que fizemos”.

A estratégia deu certo, naquele dia, Deni e Idali largaram na oitava colocação, com os então lideres em segundo. “Para nossa surpresa, quando estávamos nos últimos quilômetros, faltando 4 ou 5 para acabar, encostamos neles e tiramos cerca de 7min50s no dia. Ali foi o pulo do gato que conseguimos tirar para ir para a sexta etapa somente com 40 segundos de diferença. E ai acho que nesse momento desconcentrou até nosso adversário. Acho que ele não imaginava que a gente teria uma recuperação tamanha e conseguiria reverter um resultado daquele. Ali a gente sentiu que o jogo inverteu para nós”, comemora.


Os quilômetros derradeiros

A sexta e antepenúltima etapa era a mais longa do circuito, com cerca de 550 quilômetros de especial. Deni lembra que conseguiu completar em 7h35. “Foi um tiro muito longo e implantamos um ritmo muito forte. Já no primeiro abastecimento conseguimos abrir 5 minutos de vantagem (sobre o segundo colocado) e a gente vinha monitorando. A cada abastecimento a gente tentava saber como ele estava, se mais distante ou havia tirado um pouco a diferença. Ao mesmo tempo, também abaixamos um pouco o ritmo porque era um trecho de muita pedra, e tínhamos medo de quebrar alguma coisa, furar um pneu ou ter algum problema”, ressalta.


Em meio a prova, o principal rival chegou a tirar em determinado momento um pouco da diferença para o brusquense, o que forçou Deni e Idali a voltarem a aumentar o ritmo antes do fim do percurso. O alívio, quase que em definitivo, veio ao fim da etapa, quando ambos viram que a diferença havia aumentado novamente, e de forma significativa. “Dali para frente a gente se tranquilizou. Faltavam duas etapas e o nosso foco passou a ser em administrar. Somente algum problema no carro nos tiraria o título, porque estávamos com 20 minutos de vantagem e isso num rally não se busca”, comenta ele, ainda em êxtase pela conquista.

 “Graças a Deus minha equipe me entregou todos os dias um carro zero e eu estava em um momento da minha vida maravilhoso, estava tudo perfeito. Sabia que podíamos brigar por esse título, fomos lutando e, graças a Deus tivemos essa conquista”, comemora Deni, já pensando num novo objetivo. “Penso e sonho em um dia voltar a fazer o Dakar, mas antes disso gostaria de fazer algumas etapas do Mundial. No ano que vem o Sertões será Mundial, quem sabe a gente consiga fazer algumas etapas antes, mas para que isso aconteça não depende só de mim, depende de algumas ajudas, da própria Can-Am também ver se eles têm interesse nessa parceria”, finaliza.


Sobre a competição

A edição de 2019 do Rally dos Sertões foi considerada uma das maiores da história nos 30 anos de competição. Os pilotos percorreram 4.744 quilômetros em oito etapas, entre Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e Aquiraz, no Ceará. Eles deixaram para trás 6 estados e 9 cidades-dormitório.  A largada do rally foi realizada em 25 de agosto, com a chegada em 1º de setembro no interior cearense. Dani e Idali completaram a prova com tempo total de 33h32m38s, cerca de 20 minutos à frente de Reinaldo Varela e Gustavo Gugelmin, com 33h52min12s.


Veja algumas imagens da conquista abaixo. Créditos: Top Foto



Redação

E-mail para contato contato2004051327272873@2004051327272044esportesc.com.