Conteúdo
Repórter: Redação
Publicação: 17/06/2020 15h15
Atualização: 17h18

Inicia hoje a série de entrevistas com os presidentes da Sociedade Esportiva Bandeirante. O primeiro depoimento é do atual presidente do clube, Rogério Adilson Lana (57), cuja gestão iniciou em 2018. 

Todas as quartas-feiras, até 19 de agosto, será publicada no site e redes sociais do Clube a entrevista com um dos presidentes. Todas também serão acompanhadas aqui, no EsporteSC.com. Ao todo, serão 10 publicações, que resumem e comemoram os 120 anos de história do Bandeirante, por meio das lembranças de seus gestores. As memórias também foram documentadas por meio de vídeo. 

Confira abaixo, os principais trechos da conversa com Lana, realizada na manhã de quinta-feira, 30 de abril, no contêiner - em frente a sede social do clube. 


Quais as principais marcas que a sua gestão vai deixar para o clube? 

Eu sempre tive muito cuidado, porque sou sócio há 36 anos do Bandeirante. E na diretoria estou há cerca de 10 anos. Essa responsabilidade é muito grande, porque aqui a gente se doa muito ao clube de forma voluntária. Acho que uma das principais marcas que eu possa deixar na primeira gestão e na segunda, se for reeleito, é preocupação de forma global com o clube. Fazer com que todos os sócios se sintam privilegiados por a gente acompanhar todos os espaços. Isso começou no início da gestão, com a reforma total de todas as ruas do clube. Fomos fazendo reforma e vendo o que faltava espaço por espaço. Indo nos grupos pequenos e grandes, não se preocupando só com situações pontuais do clube. Isso, talvez, vai ficar como a marca da gestão, que eu e a diretoria temos a preocupação com o todo. Por que o todo? Porque se eu quero ter o lema de ser a segunda casa do sócio, eu não posso ter alguns itens pontuais do clube para acompanhar. Quando eu falo do todo, é com a parte social, esportiva e principalmente humana, onde acompanhamos no dia a dia com o pessoal. Outras situações são as reformas totais dos ambientes e os acertos com os contratos que a gente tinha, para evitar qualquer tipo de problema no futuro. Além das parcerias que trouxemos para dentro do clube, como no restaurante, no container e assim por diante. Esse processo de acompanhar o todo valorizou a gestão. 


Como é administrar o clube durante uma pandemia?

É um desafio muito grande. Não podemos decidir nada sozinhos, sempre trabalhamos com decretos e situações pontuais que o Governo do Estado repassa. O clube, no momento da quarentena, ficou totalmente parado, mas nós tivemos uma preocupação muito grande desde o início em prestar assistência aos sócios de diversas formas. O desafio é muito grande, porque como o Bandeirante se tornou a segunda casa dos sócios tivemos uma situação positiva e uma negativa. A positiva foi que os sócios que frequentam o clube sentiram muita falta de estar aqui durante a quarentena, enquanto estavam isolados em casa. Isso fez com que a gente valorizasse ainda mais aqueles que têm um título ou que são sócios individuais. A situação negativa, que eu coloco como talvez pontual, é a financeira, porque o nosso orçamento deixou de contar com alguns valores, que fazem falta no dia a dia do clube. Inclusive, tivemos que fazer revisão de todos os nossos custos fixos e variáveis, para evitar que o clube chegasse numa insolvência. Isso foi um cuidado muito grande. Claro, o sócio quer estar no clube e muitos valorizam isso, mas alguns não. Alguns talvez tenham pensado: não vou mais usar o clube, então vou cancelar. Até em função da própria questão econômica do país, muitos perderam emprego e assim por diante. 


Planos foram adiados por conta da pandemia?

Sim. Temos vários projetos agora para ser executados em relação ao que identificamos como necessidade do clube. Um ou outro estamos dando continuidade, pois sabemos que precisamos fazer. Alguns vamos adiar, porque temos tempos depois para oferecer isso aos sócios. Mesmo porque, nesse momento, grande parte das atividades esportivas - onde reunimos grande volume de pessoas - não estão em andamento. Acompanhamos a evolução da pandemia a todo momento para voltar a oferecer os ambientes, de acordo com a Lei e as necessidades dos sócios. Talvez façamos isso de forma mais arrojada, com um “algo a mais”. Isso é gestão. Fazemos isso dia a dia. Durante todo esse processo da pandemia acompanhamos o Bandeirante e diariamente fizemos reforma, manutenção e limpeza por meio dos nossos colaboradores. Não deixamos em nenhum momento o Bandeirante abandonado, para que quando o sócio voltasse o clube não estivesse mal cuidado. Não. Quando os sócios chegaram eles viram o Bandeirante como eles querem, o Bandeirante como a segunda casa: tudo arrumado, tudo organizado. Eu acredito que esse é um momento para a gente repensar várias coisas em relação a espiritualidade e a sociedade. É um momento de colocar as pessoas em primeiro lugar. A valorização a partir desse momento é muito importante. O pouco é muito hoje, porque há duas semanas, quem tinha muito não tinha nada. pois não podia sair de casa. Essa valorização começa por quem somos, onde estamos e quem vamos ser.



De que forma o Bandeirante contribui para a sua própria história e de sua família? 

Eu tenho uma memória de quando era menino e a minha família não podia ter um título do Bandeirante. Um dia, com 10 ou 12 anos, subi aqui com meu pai e fiquei escondidinho atrás de uma cerca de mato pra ver o pessoal tomar banho na piscina. Isso lá, muito tempo atrás. Depois cresci e tive várias atividades profissionais em Brusque. Nasci aqui e sempre acompanhei o Bandeirante de perto. Então, me tornei sócio, por uma questão até de querer estar dentro do Bandeirante, junto com as pessoas que eu conhecia. Eu morei sete anos fora da cidade e continuei sendo sócio do clube. No retorno a Brusque, logo que cheguei vim para o Bandeirante e já participei da diretoria. De lá para cá sou um abnegado do clube. Eu amo o Bandeirante. Eu gosto, eu luto e me dedico ao Bandeirante. Muitas vezes, eu deixo coisas para trás, para cuidar das coisas do clube. Quer dizer, hoje talvez não temos muitas pessoas que façam isso, porque têm necessidade de trabalhar, de sustentar sua família ou não têm tempo. No meu caso, o tempo que tenho para o Bandeirante é um tempo que eu me realizo, porque para mim - e para o menino que veio aqui e precisou se esconder atrás de uma moita de flores para ninguém ver, porque não era sócio - hoje ser o presidente do Bandeirante é uma realização. No meu currículo atuar como presidente do clube é uma realização. Não sou nem um pouco vaidoso, a minha gestão como presidente é de muito trabalho e dedicação. Daqui a pouco vou sair, outros vão ocupar o cargo, mas eu quero continuar como sócio e talvez na diretoria. Pois se eu construo na memória que isso aqui é a minha segunda casa, vai fazer falta eu estar fora. O Bandeirante é o meu sonho de menino. Eu lembro como se fosse hoje, que eu queria ver uma piscina, pois nunca tinha visto uma. Aí o meu pai disse para irmos ou no colocariam para a rua. Me sinto realizado, porque posso ver hoje o sonho de algumas pessoas que não são sócios do Bandeirante, mas que por ventura gostam de vir aqui em cima realizado. Semestralmente, trazemos crianças dos colégios de Guabiruba e Brusque para visitar o clube.  Elas passam o dia aqui e se sentem privilegiadas. Há muitos anos o clube ficou com o rótulo de “clube dos ricos”, mas ele não dos ricos, é dos sócios, que têm dentro da sociedade privilégios num ambiente maravilhoso, que hoje é um clube de todos. Perdi meus pais muito cedo. Por isso, não consegui trazer meu pai e minha para o Bandeirante. Meus três irmãos têm chácara, sítio... Eles gostam disso, mas nossa família é muito ligada. Como eu estou feliz aqui, eles estão felizes também.


Como avalia a trajetória do Bandeirante ao longo dos 120 anos, considerando que a história do clube se mistura com a história de Brusque? 

É uma sociedade que dentro do seu arcabouço de informações, de conhecimentos, se mistura muito com a sociedade de Brusque, com a cidade de Brusque. Isso na parte esportiva e social. Se a gente for lembrar, historicamente, o Bandeirante sempre esteve presente. Então Brusque não vive sem Bandeirante e talvez o Bandeirante não viva sem Brusque. Aqui começaram os Jogos Abertos, aqui foram realizadas as primeiras competições de tênis. A avó do Gustavo Kuerten (Guga) é aqui de Brusque e ele teve uma passagem pelas nossas quadras de tênis. Brusque em relação a parte esportiva, principalmente, sempre teve o Bandeirante presente na sua história, como parte fundamental para a formação de atletas, que colocaram a cidade em nível estadual e até nacional.


O desejo do Bandeirante, ao comemorar 120 anos, é ser a segunda casa dos seus sócios. Em qual espaço você se sente mais em casa?

No contêiner (risos). Frequento todos os ambientes na realidade, em função de ser presidente, prestar assistência, conversar com os sócios, como falei não é uma gestão pontual, mas sim global. Mas acredito que o container fez a diferença na Sociedade Esportiva Bandeirante de muitos anos, porque a maioria dos sócios que vinham durante todo o dia, do período diurno até o noturno, que se quisesse tomar uma água, por exemplo, depois de uma atividade, de um jogo, não tinha um ambiente para isso. Há um tempo atrás tinha um quiosque aqui onde é o tênis e depois disso não teve mais nada. Então, por exemplo, se eu viesse jogar um futebol e quisesse tomar uma água mineral à noite eu não tinha onde buscar. Alguns grupos de ferino têm sua geladeira e local para fazer almoço. Mas quem não fazia parte do ferino, não tinha. Então, o que agregou essa questão do container, do bar? A confraternização. Eu jogo um futebol e depois venho aqui tomar uma água mineral, um refrigerante, uma cerveja e comer alguma coisa. Isso agregou muito, pois antes não tinha ambiente para ficar depois dos jogos.



Redação

E-mail para contato contato2008071654391191@2008071654391036esportesc.com.